Aplicativos de alerta de emergência da Ucrânia e da Rússia foram invadidos por hackers na noite de domingo (1º de novembro), horas depois do fim de uma trégua de seis dias na região de Kherson. As mensagens falsas alertavam para ataques nucleares e químicos.
A trégua em Oleshky, mediada pelo papa, havia sido a mais longa da guerra desde a invasão russa em 2022, e terminou no domingo. Pouco antes das 23h (horário local), o aplicativo ucraniano de alertas aéreos começou a emitir mensagens incomuns para moradores de Kiev.
Entre 22h47 e 22h49, os usuários receberam quatro avisos em sequência: risco de radiação nuclear declarado em Kiev, alerta de um suposto míssil hipersônico russo Oreshnik, risco de ataque químico e combates nas ruas da capital.
Um dos alertas foi escrito em russo, apesar de o ucraniano ser o idioma oficial do país, um dos sinais de invasão. "O aplicativo parece ter sofrido influência inimiga. Não há ameaça de radiação!", informou a Força Aérea.
O Centro Ucraniano para Comunicações Estratégicas atribuiu o ataque à Rússia, e o aplicativo foi suspenso temporariamente. As sirenes continuaram funcionando por outros canais.
Horas depois, foi a vez de Moscou relatar o mesmo tipo de episódio. "O aplicativo móvel do Ministério de Situações de Emergência da Rússia foi alvo de um ciberataque em larga escala", afirmou a pasta russa, em nota no Telegram.
O caso é considerado a primeira invasão hacker nessa escala desde o início da guerra a atingir diretamente um dos canais mais usados pelas autoridades para orientar a população a buscar abrigo.
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O que o Brasil já viveu
O Brasil teve um episódio parecido em junho de 2026: o sistema de alertas da Defesa Civil Nacional foi retirado do ar depois de um disparo falso de "alerta extremo" em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
A suspeita, à época, recaiu sobre o acesso indevido à Interface de Divulgação de Alertas Públicos (Idap), usada para disparar os avisos.
O invasor deixou a palavra "misantropia" repetida como assinatura, sinal de que sistemas de emergência também viram alvo de quem só quer causar pânico.
A Defesa Civil Nacional acionou a Polícia Federal e, em São Paulo, a Defesa Civil estadual chegou a suspender os alertas climáticos até restabelecer a segurança do sistema.
O episódio brasileiro também gerou confusão: em Minas Gerais e no Distrito Federal, moradores receberam alertas estranhos sobre um suposto "ataque alienígena". No mesmo episódio, uma ferramenta de avisos de enchente e deslizamento ficou fora do ar no estado.
O Brasil não informou publicamente, até esta reportagem, quais medidas adicionais de segurança foram adotadas na Defesa Civil Nacional depois do episódio de junho.
Rússia e Ucrânia mostram, cinco meses depois, que o mesmo tipo de sistema segue vulnerável onde falta autenticação forte, mesmo quando a decisão em jogo é correr para um abrigo em segundos.
O que acontece agora
A Ucrânia mantém o aplicativo de alertas aéreos suspenso enquanto investiga a extensão da invasão, e orienta a população a desconfiar de notificações suspeitas. A Rússia não detalhou se vai restabelecer o aplicativo do Ministério de Situações de Emergência.































