Um estudo publicado na revista científica Cambridge Prisms: Water estimou em 16,1 bilhões de litros por ano a pegada hídrica da infraestrutura de inteligência artificial (IA) na região metropolitana de São Paulo. O número soma água de refrigeração e de geração de eletricidade.
O estudo, assinado pelo pesquisador Guangda Liang, analisou um conjunto de data centers com carga operacional de cerca de 550 megawatts na região.
Mais de 46% da pegada hídrica é "água virtual" indireta, consumida na geração hidrelétrica que alimenta essas instalações, não na refrigeração direta dos servidores.
Uma pergunta feita a uma IA, uma busca na internet ou um arquivo guardado na nuvem dependem de data centers, instalações que abrigam servidores e consomem recursos naturais para funcionar. Além de eletricidade, essas estruturas podem gastar água para controlar a temperatura dos equipamentos.
Por que um data center precisa de água?
Os servidores produzem calor durante o funcionamento, e as instalações usam sistemas de refrigeração que podem empregar água, ar ou outras tecnologias para evitar o superaquecimento.
"Um data center utiliza água principalmente para resfriar os equipamentos, que geram muito calor durante a operação. Quanto maior o data center, mais calor ele vai gerar e mais água vai consumir", explica Diego Mota Siqueira, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Siqueira chefia o Serviço de Supercomputação (SESUP) do instituto.
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O resultado do estudo veio de modelagem científica, com base em dados de infraestrutura, consumo energético e características dos sistemas hídricos da região. Não é uma medição direta da água consumida pelas instalações, e o próprio pesquisador pede cautela na leitura do número.
"Essa resposta é muito relativa. De que tamanho de data center estamos falando? E de que tamanho de cidade? Isso vai determinar diretamente o impacto", afirma Siqueira.
O debate ambiental soma-se a outro, econômico. Um data center de IA no Brasil pode valer R$ 25 bilhões e gerar 37 mil empregos, segundo levantamento recente.
A fatura de energia também preocupa o setor. A energia necessária para alimentar data centers de IA já é um teste para a infraestrutura elétrica brasileira.
O impacto de data centers sobre recursos naturais não é exclusividade brasileira. O boom desses empreendimentos já provocou protesto de moradores na Índia, em caso parecido.
O que acontece agora
Mesmo com a preocupação ambiental, o Brasil segue incentivando a instalação de data centers. O Senado isentou o setor de impostos por cinco anos, abrindo mão de R$ 5,2 bilhões em arrecadação como estímulo aos investimentos no país.





























