O funk que embalou a campanha de Flávio Bolsonaro em 2026, o "Solinho do Fora PT", usa uma melodia com mais de 160 anos: um poema russo do século 19 que passou pelo Exército Soviético e pelo Tetris antes do funk carioca.
Oficialmente chamada "Solinho do Fora PT", a música viralizou depois que Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano, eleitos deputado federal e deputada estadual por São Paulo nas eleições de outubro, comemoraram a vitória dançando ao som dela.
Depois, passou a tocar nos "bloquinhos do 22" e em comícios do então candidato à Presidência. A melodia acompanha hoje versos contra a esquerda, mas nasceu com letra que exalta o povo russo, na década de 1860.
Como a melodia russa virou funk brasileiro?
A melodia russa virou funk brasileiro depois de passar por um coro soviético e por um videogame japonês. Ela nasceu em 1861, como poema de Nikolai Nekrasov; entrou no repertório do Exército Soviético nos anos 1980; e virou tema do Tetris em 1989.
O poema "Korobeiniki" ("mascates", em russo) foi publicado em 1861 por Nikolai Nekrasov, autor conhecido por retratar a vida do povo russo. Os versos contam a história de um vendedor ambulante que se encontra com uma jovem.
Com o tempo, o poema ganhou versão musical e se popularizou como canção folclórica russa. Após a revolução comunista de 1917, a melodia se tornou popular na União Soviética e passou a ser cantada pelo coro do exército soviético.
Publicidade
Um dos grupos do Exército Soviético, conhecido no Ocidente como "Coro do Exército Vermelho", gravou a canção ao vivo no Royal Albert Hall, em Londres, em março de 1988. O mesmo disco trazia o hino britânico e até "Yesterday", dos Beatles.
Em 1989, a melodia virou o tema do Tetris na versão para Game Boy, com arranjo do japonês Hirokazu Tanaka. No início dos anos 2000, essa versão chegou ao funk carioca em montagens e apareceu em "Jonathan da Nova Geração", da Furacão 2000.
A faixa integra o álbum "Jonathan da Nova Geração", de Jonathan Costa, lançado em 2002 pelo selo Furacão 2000, um dos principais do funk carioca.
Nos anos 1930, um musicólogo soviético chegou a lamentar a popularidade de "Korobeiniki" no repertório militar. O herói da canção não é um revolucionário: é um mascate, símbolo do comércio que o regime comunista buscava superar.
O funk segue associado à campanha de Flávio Bolsonaro, que perdeu o 2º turno para Lula, em 25 de outubro.































