O deputado federal André Janones (Rede-MG) revelou que evitou viajar de avião durante a campanha de Lula para não ficar sem internet e continuar administrando pelo celular o canal "Exército do Lula". A informação foi ao ar no Fantástico de domingo (1º de novembro).
"Eu tava rodando 2 mil quilômetros por semana de carro, porque eu não tava pegando avião pra não ficar sem internet", afirmou Janones à reportagem.
O deputado administrava pelo próprio celular o canal "Exército do Lula", criado por ele no WhatsApp. Gravava os vídeos uma única vez, sem repetir as tomadas.
O canal reuniu mais de 10 milhões de participantes nas três semanas anteriores ao segundo turno. Ao consultar o tempo de uso do celular, Janones mostrou à reportagem uma média de 11 horas e 2 minutos por dia.
O resultado não veio sem resistência. Em 6 de outubro, quando o canal passava de 1 milhão de inscritos, representantes da comunicação do PL organizaram uma videoconferência com influenciadores de direita para tentar derrubá-lo a base de denúncias em massa no WhatsApp.
Estão tentando derrubar o 'Exército do Lula'. Nós acabamos de bater um milhão de pessoas inscritas.
Antes da tentativa de derrubada, Janones já tinha promovido uma live de 24 horas para mobilizar o canal, numa demonstração de quanto dependia de estar sempre on-line.
Dias depois, em 14 de outubro, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, chegou a suspender o canal por 48 horas, a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro.
Publicidade
O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a suspensão. Janones argumentou que o espaço não integrava os ambientes oficiais da campanha de Lula.
A disputa pelo canal, travada em paralelo à corrida pelo Planalto, ajuda a explicar por que Janones tratou a internet como recurso mais crítico que o avião durante as últimas semanas da campanha.
Repercussão foi além do Brasil
A estratégia digital de Janones inspirou grupos semelhantes na França e na Argentina, segundo reportagens anteriores. Depois da vitória de Lula, o deputado concedeu entrevistas a veículos como o francês Le Monde e o britânico The Guardian.
"A repercussão internacional é a única coisa que não estava no meu radar", disse Janones.
Ele recebeu convites da Alemanha, da França, da Itália, da Espanha, da Colômbia e da presidente do México para falar sobre a estratégia que usou.
No fim de semana (31 de outubro e 1º de novembro), viajou a Buenos Aires e se reuniu com a ex-presidente Cristina Kirchner.
Apesar do protagonismo, Janones já disse que prefere não assumir ministério no governo Lula e seguir na Câmara, onde avalia que pode ser mais útil ao presidente.
Depois do segundo turno, o grupo perdeu cerca de 200 mil integrantes, segundo o próprio deputado.































