Apoiadores bolsonaristas relatam ataques pagos dentro do PL, dizendo ter recebido dinheiro de alas do partido para atacar rivais nas redes sociais, mostra reportagem da Folha publicada na terça-feira (3 de novembro). Uma lista com 50 perfis circulou numa live em 25 de agosto.
A transmissão fazia parte do Space Arena, fórum no X criado pelo apoiador bolsonarista Rafael Cavalcanti para debates entre apoiadores. 58 pessoas participaram da live, que ficou pública e salva no perfil dele até 21 de outubro, quando a conta foi desativada.
Segundo a Folha, as instruções trocadas entre os participantes incluíam bloquear perfis, silenciar contas e usar bots contra rivais internos. Parte das orientações, segundo um dos usuários identificados, partiu do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Um dos participantes questiona o colega, na live:
Chegou para mim que chegou uma lista para você com 50 nomes, te oferecendo dinheiro pra você cancelar essa pessoa. Cancelar, bloquear e não dar voz. É verdade isso?
Outro usuário confirma a existência da lista, mas nega ter aceitado fazer os ataques remunerados, segundo a reportagem. O objetivo, conforme os depoimentos, era enfraquecer alas rivais dentro da própria coalizão bolsonarista.
Procurado pela Folha, Eduardo Bolsonaro respondeu que desconhece o episódio. O contato foi feito por mensagem direta e pelo aliado Paulo Figueiredo.
Ele vive nos Estados Unidos desde 2025, onde discursou ao lado do presidente argentino Javier Milei apesar do mandado de prisão em aberto, decretado por Alexandre de Moraes, do STF, que o condenou por coação no curso do processo.
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O "fogo amigo" entre bolsonaristas foi identificado por aliados do PT que monitoravam ataques a nomes da esquerda nas redes sociais. A Folha afirma ter compilado os relatos e confirmado que os perfis pertencem a pessoas reais, ativas desde 2021, não a robôs automatizados.
O episódio surge num momento em que a própria pré-candidatura de Flávio Bolsonaro já lida com denúncias de perfis pagos. Em outubro, a campanha de Lula acionou o TSE contra a Meta por suposto favorecimento ao pré-candidato do PL nas redes.
Dentro e fora da legenda, perfis pagos viraram ferramenta central da disputa bolsonarista.
A rivalidade interna também passa pelo papel de Eduardo Bolsonaro na estratégia da família. Foi ele quem defendeu publicamente que Flávio deixasse o Brasil durante a disputa eleitoral, posição que dividiu opiniões mesmo entre aliados próximos.
O episódio chega a público pouco mais de uma semana após a derrota de Flávio Bolsonaro para Lula no 2º turno presidencial. Com o resultado definido, diferentes alas do PL já disputam espaço na legenda para o próximo ciclo eleitoral, em 2030.































