O FBI atribuiu à Coreia do Norte a autoria do roubo de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da Binance, maior corretora do mundo, no fim de outubro. A Coreia do Norte nega e chama a acusação, em comunicado, de "retórica absurda".

O ataque aconteceu em 29 de outubro e durou cerca de 20 minutos. Hackers tiraram US$ 6,3 bilhões da Binance, a maior parte em Ethereum, no que analistas chamam do maior roubo já registrado em qualquer setor.

Segundo o FBI, o ataque foi obra da unidade TraderTraitor, também rastreada como Lazarus Group (ligada aos serviços de inteligência da Coreia do Norte).

Pessoa digita senha em laptop com ícone de cadeado e bitcoin na tela
Segurança digital é o centro do caso: o FBI diz que hackers converteram parte do valor roubado em Ethereum. Foto: Edwin.images/Wikimedia Commons

"Esta não é a primeira vez que os EUA tentam disseminar informações equivocadas sobre a RPDC na comunidade internacional", disse Kim Yo Jong, irmã do líder Kim Jong Un, em nota da agência estatal KCNA.

Ela classificou as acusações de "provocação política".

O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a investigação, mas evitou confirmar a autoria norte-coreana. Questionado se operativos da Coreia do Norte seriam responsabilizados, respondeu apenas: "Estamos analisando isso".

Firmas de inteligência de blockchain, como a TRM Labs e a Chainalysis, avaliam com alta confiança que o TraderTraitor foi responsável. Ainda assim, a Casa Branca não fez a acusação formal.

Não é a primeira vez que o Lazarus Group é associado a um roubo bilionário. Em 2022, o mesmo grupo foi ligado ao roubo de US$ 620 milhões da rede Ronin, do jogo Axie Infinity.

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O Tesouro dos Estados Unidos associa publicamente o Lazarus Group ao financiamento dos programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte. Em um caso anterior, autoridades recuperaram cerca de US$ 30 milhões do grupo, a primeira vez que isso aconteceu.

Se a autoria se confirmar, o roubo da Binance vira o maior já usado para financiar as armas de um país sob sanção da ONU.

No Brasil, a Binance informou que os ativos dos clientes locais permanecem seguros, guardados em carteiras frias separadas das contas atingidas pelo ataque. A nota cita as regras de custódia do Banco Central do Brasil para esse tipo de empresa.

A Binance já havia confirmado o tamanho do prejuízo nos dias seguintes ao ataque. O hack chegou a US$ 6,3 bilhões, o maior da história das criptomoedas.

A corretora já trabalha na recomposição das perdas. A Binance retomou os saques depois de recompor a maior parte do prejuízo.

Mesmo assim, o episódio mexeu com a confiança de investidores. A Binance teve saída líquida de US$ 3,64 bilhões assim que os saques voltaram.

O efeito já chegou a corretoras brasileiras. A Mercado Bitcoin foi alvo de um ataque dias depois do hack da Binance.

O que acontece agora

A Binance segue negociando a recuperação dos valores com emissores de stablecoins, que já congelaram cerca de US$ 3 bilhões. O FBI não informou se vai apresentar acusação formal contra suspeitos específicos.

O ponto em aberto

Washington ainda não formalizou a acusação de forma oficial, e Pyongyang nega qualquer envolvimento. Dos bilhões que o Lazarus Group já roubou em criptomoedas ao longo dos anos, autoridades recuperaram cerca de US$ 30 milhões até hoje.