As denúncias de violência política no Disque 100 somaram 90 casos entre 1º e 25 de outubro, alta de 350% ante os 20 registros de setembro. Os dias de votação, 4 e 25 de outubro, concentraram 30% das denúncias do período.

Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), comparando períodos equivalentes, de 1º a 25 de cada mês, o crescimento foi ainda maior. As denúncias foram de 13 para 90, alta de 592,3%.

O 1º turno, em 4 de outubro, teve 19 denúncias. O 2º turno, em 25 de outubro, teve 8. Juntos, os dois dias somaram quase um terço de todas as denúncias de outubro.

Além do Disque 100, partidos e parlamentares encaminharam 41 casos diretamente à ministra Janine Mello, do MDHC. Outras 38 denúncias chegaram por outros canais e ministérios parceiros, somando 189 denúncias em setembro e outubro.

Publicidade

As denúncias incluem violência política de gênero, violência política étnico-racial e violações ao direito de votar e ser votado, segundo o levantamento do MDHC.

Em setembro, um levantamento já havia mostrado que a violência política de gênero havia subido 380%, com São Paulo, Paraná e Minas Gerais entre os estados que mais registravam casos.

O quadro se soma a outro recorte. O Ministério do Trabalho recebeu 4,3 mil denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho, alta de 75% depois do 2º turno, segundo o MTE. Parte da violência política continuou mesmo depois do fim da votação.

Publicidade

O que acontece agora

Os casos encaminhados pelo Disque 100 e pelos parlamentares seguem agora para apuração da Polícia Federal, da Defensoria Pública da União e do Ministério Público, que integram a força-tarefa do MDHC contra a violência política.

Parte dos ataques também mira as redes sociais. A deputada Érika Hilton liderou o ranking de políticos mais atacados online durante a eleição, segundo levantamento anterior.

Em Minas Gerais, um balanço estadual somou 345 denúncias de assédio eleitoral depois da reeleição de Lula, mostrando que o fenômeno também aparece nos números locais.