A chinesa Envision Energy avalia instalar uma fábrica no Brasil para produzir baterias e turbinas eólicas, afirmou à Reuters o diretor da empresa no país, Marcello Trombelli. Segundo ele, a decisão depende de o governo brasileiro demonstrar interesse, com medidas como incentivos fiscais.
A Envision é uma das maiores fornecedoras mundiais de tecnologia "verde" e ainda é recente no país. No ano passado, anunciou a intenção de erguer uma planta de combustível sustentável de aviação (SAF), após visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China.
Em janeiro deste ano, a empresa fechou seu primeiro grande negócio local, um acordo com a geradora Casa dos Ventos para fornecer 630 megawatts em turbinas eólicas e outros serviços.
"Nós estamos em constante contato com os governos, estaduais e federal, no intuito de demonstrar as soluções que nossas tecnologias podem trazer para o sistema elétrico brasileiro", disse Trombelli à Reuters, à margem do evento Brazil Windpower.
"Já seria possível termos nossas fábricas aqui, mas também é preciso que demonstrem interesse", completou.
Questionado sobre o que seria esse interesse, o executivo citou incentivos fiscais e ex-tarifários como medidas que ajudariam a trazer gradualmente a produção ao mercado brasileiro.
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A fábrica ainda não é uma decisão fechada. É uma possibilidade em avaliação pela empresa, condicionada ao que o governo oferecer.
O que falta para a fábrica sair do papel
A fábrica só sai do papel se o governo brasileiro oferecer um sinal concreto de interesse, segundo a empresa. Isso inclui incentivos fiscais e ex-tarifários, que reduzem impostos de importação para equipamentos ainda sem produção nacional.
A indústria eólica brasileira vive uma crise prolongada, e multinacionais como GE e Siemens pararam suas operações no país por falta de encomendas para novos parques. O segmento só deve começar a se recuperar a partir de 2027.
Ao mesmo tempo, fabricantes chinesas desembarcaram no país, entre elas Goldwind, Sinoma e Windey. A Envision seria mais uma marca chinesa de olho em fábrica local, padrão que já levou outra chinesa a estudar uma fábrica de ônibus de R$ 100 milhões no Brasil.
A Envision também mira o segmento de baterias e já oferece seus produtos a empresas de olho no primeiro leilão do tipo. A fabricante chinesa de carros elétricos BYD já ampliou a produção de baterias no Brasil em junho, com investimento considerado significativo pela empresa.
O leilão de baterias anunciado pelo governo para dezembro já tem 18 GW de projetos cadastrados e pode mobilizar R$ 10 bilhões em investimentos, com economia estimada de R$ 3,2 bilhões por ano frente às termelétricas.
O que acontece agora
Por enquanto, não há data nem valor de investimento anunciados. A Envision diz que a decisão depende de o governo sinalizar interesse com incentivos concretos, e o leilão de baterias de dezembro deve mostrar o tamanho real do apetite do setor.
Até lá, a fabricante segue negociando diretamente com governos estaduais e com o federal, segundo Trombelli, enquanto cumpre o contrato já fechado com a Casa dos Ventos.































