Hackers atacaram sistemas de refrigeração de supermercados na Suécia e na Bélgica na segunda-feira (2 de novembro), elevando a temperatura de geladeiras e freezers a mais de 50°C e estragando alimentos avaliados em milhões de euros, poucas semanas após um ataque parecido na França.
Na Suécia, freezers das redes Ica e Coop chegaram a 55°C. Na Bélgica, foram afetados supermercados da Ahold Delhaize e do Carrefour.
Cerca de 40 lojas da Delhaize e 5 unidades da rede Spar foram atingidas na Bélgica, segundo a imprensa local. O Carrefour informou 15 estabelecimentos afetados, que permaneceram abertos.
A rede sueca Coop disse que hackers não identificados alteraram as configurações de geladeiras e freezers em 7 de suas cerca de 800 lojas.
"Conseguiram invadir nossos sistemas de gerenciamento de refrigeração e alterar as configurações", disse Camilla Nilsson, gerente da loja Ica St Olof, em Österlen.
"Não conseguimos ajustar as temperaturas. Ar quente está sendo soprado para dentro dos freezers. Tudo está perdido", lamentou Rickard Nilsson, responsável por uma loja da Ica em Sjöbo, ao jornal Aftonbladet.
Muitas das geladeiras atacadas usam software da Danfoss, grupo industrial dinamarquês. Pesquisadores da empresa de cibersegurança Claroty identificaram, em agosto, 2.765 controladores Danfoss expostos diretamente à internet, com três falhas que permitiam acesso sem senha de administrador.
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A Danfoss já tinha corrigido as falhas com uma atualização de firmware, mas o ataque desta semana mostra que nem todos os supermercados fizeram a atualização a tempo.
O ataque também pode acontecer no Brasil?
As mesmas controladoras Danfoss, e equivalentes de outras marcas, operam em redes de farmácias, frigoríficos e supermercados no Brasil. O risco técnico identificado na Europa não é exclusivo de lá, e pesquisadores já alertaram que worms de inteligência artificial podem invadir eletrodomésticos conectados.
Especialistas recomendam isolar os dispositivos de refrigeração em uma rede própria, separada da rede principal de computadores e dados da empresa.
Os ataques de outubro na França são investigados pela unidade de crimes cibernéticos do Ministério Público de Paris e pela Anssi, agência de segurança cibernética do governo francês. Não houve reivindicação de autoria.
Na segunda-feira, hackers também atacaram sistemas de alerta de emergência na Rússia e na Ucrânia, em outro caso de infraestrutura crítica comprometida por ciberataque no mesmo dia.































