Uma tempestade geomagnética provocada pelo Sol atinge a Terra nesta sexta-feira (2) e novamente no domingo (4), segundo alerta da NOAA, a agência meteorológica dos Estados Unidos. O fenômeno foi classificado como G1, o nível mais fraco de uma escala que vai até G5.

O evento tem origem na erupção de um filamento solar em 28 de setembro, que liberou uma ejeção de massa coronal (EMC) rumo à Terra.

Segundo um meteorologista espacial da NOAA, a massa "atingirá a Terra através da sua borda lateral, gerando o que chamamos de 'impacto de raspão'".

Esse ângulo de entrada reduz a intensidade do impacto. Os efeitos esperados são pequenas variações em sinais de GPS e oscilações pontuais em comunicações de rádio de alta frequência, limitadas às regiões polares.

O Brasil fica de fora do alcance prático do fenômeno. Perturbações geomagnéticas dependem do afunilamento das linhas de força magnética da Terra em direção aos polos, e países de baixa latitude, como o Brasil, permanecem essencialmente imunes a um evento de nível G1.

A NOAA estima em 10% a chance diária de apagões de rádio nos níveis R1-R2 nos polos entre 30 de setembro e 2 de outubro, e em apenas 1% a chance de uma tempestade de radiação solar mais séria, classificada como S1+, no mesmo período.

A comparação ajuda a dimensionar o evento de hoje. Em maio de 2024, uma série de erupções na região ativa solar NOAA 3664 gerou uma tempestade classificada como G5, a mais forte desde março de 1989.

Aquele evento produziu auroras visíveis em latitudes muito mais baixas que o normal, inclusive no hemisfério sul, fenômeno que astronautas da ISS já registraram em fotos. A própria NOAA relatou irregularidades na rede elétrica e degradação de GPS em alguns países.

A FEMA e o Departamento de Energia dos EUA, no entanto, não registraram impacto significativo à população.

Já em agosto deste ano, uma tempestade de nível G2 atingiu a Terra, um degrau acima da atual. A NOAA já havia detalhado o alerta de hoje antes da chegada prevista para esta sexta.

O ponto em aberto

A escala G1-G5 da NOAA classifica cada evento isoladamente: um G1 tranquilo não garante que o próximo também será fraco, como mostrou o salto até o G5 de maio de 2024.

Por ora, o episódio desta semana segue sendo, para o Brasil, um fenômeno restrito aos boletins científicos, sem efeito prático no dia a dia.