A futurista, engenheira e escritora Martha Gabriel estreou nesta quinta-feira (1º) como colunista do C-Level, o novo site de negócios da Folha. As colunas serão mensais e vão discutir como a inteligência artificial transforma negócios, trabalho e decisões de liderança.

"O que muda e o que não muda? E, quando muda, o que a gente tem que fazer?", resume Martha sobre sua preocupação central.

Ela cita o automóvel como exemplo. A invenção transformou a mobilidade, mas a popularização também trouxe poluição, problemas de saúde e mudanças na arquitetura das cidades.

"Quando a humanidade usa uma tecnologia pela primeira vez, a gente foca muito o benefício", diz Martha. "Outros valores estão envolvidos nas decisões, não é só produtividade."

Como exemplo dos riscos, ela cita os agentes autônomos por trás da invasão ao site Hugging Face, revelada em agosto. "Os agentes não se rebelaram, eles obedeceram especificamente a uma ordem, e acharam um caminho", diz.

"O grande problema ali foi quando começaram a pegar caminhos antiéticos, e nenhum deles alertou o humano", completa Martha. O episódio levou a Nvidia a lançar um sistema para conter agentes de IA que fogem do controle.

Não dá mais para planejar. A gente tem que se preparar.

Martha se formou em futurismo pelo IFTF (Institute for the Future), nos Estados Unidos. Segundo ela, antes era possível acompanhar sinais de mudança em intervalos mais longos; agora, novos sinais surgem em semanas, exigindo revisão constante de cenários.

Ela tem mais de dez livros publicados sobre o tema. O episódio da Hugging Face também levou a FTC dos Estados Unidos a ampliar a investigação sobre OpenAI e Anthropic.

"A própria IA ajuda muito a gente a traçar cenários, desde que você tenha método e saiba avaliar essas possibilidades", diz Martha, sobre como usar a tecnologia a favor do planejamento estratégico.