O papa Leão XIV chega à Argentina no domingo (8 de novembro), para a primeira visita papal ao país desde 1987. Autoridades argentinas estimam que 7 milhões de pessoas participem dos eventos até 11 de novembro, quando ele se encontra com o presidente Javier Milei.
Antes da Argentina, Leão esteve no Uruguai, onde pediu aos povos da América do Sul que ajam com "justiça, honestidade e fidelidade". A fala foi feita em Paysandú, na fronteira entre os dois países, em evento que reuniu 40 mil pessoas sob chuva.
A viagem acontece menos de um mês depois de o papa, de 71 anos, passar por uma cirurgia para retirada de um nódulo no pulmão.
O primeiro compromisso expõe o corte de gastos de Milei
Na segunda-feira (9 de novembro), o primeiro compromisso de Leão na Argentina é o Cottolengo Don Orione, instituição católica que abriga cerca de 400 pessoas com deficiência em Claypole, na Grande Buenos Aires.
"O governo parou de entregar medicamentos, alimentos especiais e fraldas desde novembro passado", disse Fernando Montero, coordenador da instituição, à Reuters. O caso está na Justiça.
Os bispos argentinos escreveram ao ministro da Saúde, Mario Lugones, em abril denunciando a situação de instituições para pessoas com deficiência. Houve só duas reuniões desde então, sem acordo, e uma lei de financiamento segue travada entre Milei e o Congresso.
O pano de fundo é numérico: o governo Milei cortou 48% do orçamento de saúde em termos reais desde que assumiu, em dezembro de 2023.
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O antecessor que nunca voltou
O papa Francisco, primeiro latino-americano e argentino a liderar a Igreja, nunca retornou ao próprio país como papa. Segundo especialistas, ele temia que sua imagem fosse usada para fins políticos e aprofundasse as divisões internas.
Milei chegou a chamar Francisco de nomes ofensivos em 2020, acusando-o de promover comunismo, e seu modelo econômico virou referência na disputa política do Brasil. O atual papa afirma que Milei se desculpou ao encontrar Francisco no Vaticano, em fevereiro de 2024.
Leão XIV decidiu romper esse padrão de distância: ele mesmo escolheu viajar à América Latina três semanas após a cirurgia, justamente priorizando Argentina, Uruguai e Peru, e deixando o Brasil de fora desta rota.
O ponto em aberto
A lei de financiamento para instituições de pessoas com deficiência segue sem acordo entre o governo e o Congresso argentino. A próxima reunião entre bispos e o Ministério da Saúde ainda não tem data marcada.
A visita papal coloca o tema sob os holofotes, mas não substitui a negociação política que decide se o corte de 48% será revertido.






























