Dois petroleiros atingiram minas no Estreito de Ormuz na sexta-feira (6 de novembro), e um tripulante morreu em ataque anterior ao MT Velos Sapphire, segundo o Irã. O Brent caiu 13% na semana, mas o Brasil mantém R$ 3,52 de subsídio por litro de diesel.
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) diz que os navios atingidos na sexta-feira (6 de novembro) tentavam passagem não autorizada com os sistemas de posicionamento desligados. Antes, na quarta-feira (4 de novembro), outro petroleiro e um rebocador de resgate também pegaram fogo.

Morreu um marinheiro a bordo do MT Velos Sapphire, navio de bandeira das Ilhas Marshall administrado pela grega Velos Tankers. A empresa diz que o navio foi atingido por uma explosão atribuída a um míssil na quinta-feira (5 de novembro), rumo ao Bahrein.
A tripulação apagou o incêndio no convés, e não houve vazamento de óleo. O governo dos Estados Unidos não confirmou a perda de um drone MQ-1 que o Irã diz ter abatido sobre a Ilha de Qeshm.
No mesmo dia, o presidente dos EUA, Donald Trump, telefonou ao emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, para tratar da desescalada e da segurança do comércio marítimo na região, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo.
O que muda no preço do combustível no Brasil
No Brasil, muda pouco por enquanto: a Petrobras segue vendendo o diesel a R$ 3,57 por litro nas refinarias, contra R$ 7,50 no mercado internacional. A diferença é coberta por duas camadas de subsídio que somam R$ 3,52 por litro.
Uma delas, de R$ 2,12, é a prorrogação que o governo manteve após a reeleição. A outra, de R$ 1,40, vence antes.
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Grosso modo, o preço do diesel hoje estaria o dobro se não fosse a subvenção do governo.
Disse Evaristo Pinheiro, presidente da Refina Brasil. Segundo ele, a Petrobras abre mão de receita ao vender abaixo do preço internacional, o que impede as importadoras de competir.
"O que o governo fez foi ajudar a Petrobras, que produz muito, pode vender barato e é compensada com parte do imposto de exportação do que ela mesma exporta", explica Sérgio Araújo, presidente da Abicom, para quem a subvenção soma R$ 3,52 por litro.
Por que o petróleo caiu apesar dos ataques
O Brent recuou apesar dos ataques porque o mercado já embute duas apostas: desescalada política e sobra de oferta. Na sexta-feira (6 de novembro), o contrato fechou a US$ 98,32 o barril, com o WTI a US$ 90,83.
Na semana, as duas referências caíram 13%, mesmo com o novo incidente em Ormuz no mesmo período. O mercado aposta que o conflito está mais perto do fim do que do início.
A vitória democrata nas eleições de meio de mandato dos EUA reforçou a expectativa de que o novo Congresso desafie o financiamento à guerra, reduzindo o poder de barganha do Irã.
O JPMorgan calculou ainda um superávit global de 1,4 milhão de barris por dia em outubro, o que também pressiona o preço para baixo.
O recuo é grande frente ao pico de mais de US$ 117 registrado após o ataque de 29 de outubro, quando quatro petroleiros ficaram incapacitados de uma só vez.
O que acontece agora
A primeira parcela do subsídio, de R$ 1,40 por litro, vence na quinta-feira (12 de novembro). A segunda, de R$ 2,12, vence no fim do mês, e o governo ainda não disse se vai renovar os dois valores.
A decisão deve sair perto dos vencimentos, segundo o setor de combustíveis, que já viu o impasse em Ormuz custar R$ 14 bilhões aos cofres públicos em outros momentos do conflito.






























