A promessa de Lula de oferecer canetas emagrecedoras pelo SUS esbarra na falta de medicamentos registrados para obesidade. A maioria das canetas com semaglutida aprovadas em 2026 tem bula só para diabetes, e o Ministério da Saúde pediu à Anvisa que acelere novos registros.

Apenas a Novo Nordisk, dona do Ozempic e do Wegovy, tem a semaglutida registrada para obesidade no país. A Anvisa aprovou 12 novos remédios com semaglutida em 2026, inclusive genéricos 35% mais baratos, mas todos voltados ao diabetes.

O preço caiu até 70% em menos de um ano. Segundo o ministro Alexandre Padilha, a caneta que custava entre R$ 1.700 e R$ 2.000 passou a sair por R$ 300 a R$ 400 nas farmácias. Hoje, 25 canetas emagrecedoras estão registradas no Brasil.

A Conitec já rejeitou a semaglutida e a liraglutida em agosto de 2025, pelo alto impacto financeiro da medida. Agora analisa um novo pedido do ministério, de 24 de setembro, com prazo de 180 dias, prorrogável por mais 90.

A obesidade no Brasil cresceu de 11,8% da população em 2006 para 25,7% em 2024, segundo o Ministério da Saúde. É esse crescimento que justifica, para a pasta, a urgência em ampliar o acesso ao tratamento.

O que muda para quem tem obesidade?

Por enquanto, nada muda na prática. O SUS ainda não oferece a caneta para emagrecimento, e a entrada depende do parecer da Conitec e de mais remédios registrados para obesidade, não apenas para diabetes, como ocorre com a maioria hoje.

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Quando aprovado, o acesso pelo SUS será restrito a pacientes em que o controle da obesidade reduz complicações de saúde relevantes, segundo o Ministério. Hoje, essas canetas só chegam a quem tem obesidade pela via privada, fora da bula registrada.

O que acontece agora

A Conitec tem até 180 dias para dar o parecer sobre a incorporação, prazo que pode se estender por mais 90. Até lá, o acesso às canetas para obesidade continua restrito ao mercado privado.

A promessa de Lula, porém, ainda não tem data para se cumprir.