Pastores e bispos que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno passaram a adotar discurso mais cauteloso após a derrota do senador para Lula. O tom mistura reconhecimento da vitória petista e críticas pontuais à condução da família Bolsonaro, segundo o jornal Estado de Minas.

Flávio chegou a ter ampla vantagem entre evangélicos nas pesquisas no fim da campanha, e o voto nele disparava nos municípios mais evangélicos do país.

O bispo Robson Rodovalho, fundador da Sara Nossa Terra e conselheiro espiritual de Jair Bolsonaro desde que o ex-presidente começou a cumprir pena, diz que o cenário ainda está indefinido.

"Acho que todo mundo está em ritmo de espera para entender um pouco mais o que aconteceu. Tivemos um resultado muito na contramão da expectativa", afirma Rodovalho.

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Um pastor próximo a Flávio já havia dito, antes da saída do senador, que as eleições tinham terminado e não haveria 3º turno.

Para a pastora e ex-deputada distrital Sandra Faraj, a cautela não significa necessariamente mudança de apoio. Ela avalia que os movimentos de lideranças como Silas Malafaia e Edir Macedo respondem à dinâmica partidária.

"A partir do momento que a resposta do jogo político não foi a esperada, existe um movimento natural de os partidos se acomodarem com o atual governo", diz Faraj. Ela se refere ao Republicanos, partido ligado à Igreja Universal.

Cautela, até agora, não é ruptura.

O que mudou desde a eleição

A saída de Flávio para os Estados Unidos, três dias depois da derrota, teve ampla repercussão. Pesquisas de opinião divulgadas no fim de semana mostram desaprovação até por parte do eleitorado de direita que não é bolsonarista.

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O episódio superou em repercussão outros recentes, como o escândalo do Banco Master.

A mesma cautela aparece entre os pastores: ninguém anuncia ruptura, mas também ninguém garante continuidade automática de apoio.

O ponto em aberto

A divisão de opiniões mesmo fora do núcleo bolsonarista mostra que a reação à saída de Flávio não é unânime nem consensual. Falta saber se a cautela das lideranças evangélicas vira distanciamento ou se acomoda com o novo governo, como Faraj antecipa para o Republicanos.