A Decathlon, maior varejista esportiva do mundo, passou a abrir lojas de até 600 m² no Brasil, bem menores que as megalojas de até 4.000 m² da marca. A rede tem 53 lojas no país após 25 anos, segundo o CEO Cedric Burel.

Nas lojas compactas, parte dos 6 mil produtos do mix tradicional fica de fora das prateleiras físicas. "A gente não consegue colocar nossos 6.000 produtos ali, por isso escolhe os que correspondem à demanda daquele bairro", disse Burel à Folha.

O restante do catálogo pode ser acessado por um consultor online, no conceito que a empresa chama de "prateleira infinita". O item ausente é encomendado e retirado na loja, ou entregue em casa.

As megalojas não serão substituídas, segundo o CEO. Serão complementadas pelas unidades menores. "Elas seguirão oferecendo uma experiência mais completa, com barracas de camping montadas para o cliente entrar, showroom de fitness, oficinas de bicicletas", afirmou.

Controlada pela família francesa Mulliez, a Decathlon está há 25 anos no Brasil e cresce devagar: uma média de duas lojas novas por ano. Só chegou ao Nordeste em 2022.

O ritmo lento é efeito de um modelo sem franquias, das dificuldades logísticas de um país continental e do próprio tamanho das megalojas, o que concentrou a rede no Centro-Sul.

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Como o Brasil se diferencia dentro da Decathlon global

O Brasil tem duas especificidades dentro da rede global, segundo Burel. A primeira é a produção local de têxteis e bicicletas, na Zona Franca de Manaus, que ainda compensa por benefícios fiscais mesmo com a concorrência asiática mais barata.

A segunda é um estúdio de design próprio, dedicado à moda esportiva brasileira, sobretudo em fitness e beachwear.

No mercado global, a Decathlon fechou 2025 com receita acima de R$ 100 bilhões e 1.902 lojas em mais de 80 países, a maior varejista esportiva do mundo e a 3ª maior marca do setor, atrás só de Nike e Adidas.

No Brasil, a Decathlon disputa espaço com a Centauro, do Grupo SBF, que faturou R$ 7,7 bilhões em 2025, e com a força digital da Netshoes.

O mercado esportivo brasileiro vive um momento forte: a Copa do Mundo de 2026 impulsionou as varejistas do setor no país.

O que acontece agora

A primeira loja compacta abriu no shopping Morumbi Town, em São Paulo, testando um modelo já validado em Madri e em outras cidades europeias, com foco em corrida, ciclismo e esportes urbanos.

A estratégia de crescer com lojas menores também aparece em outras redes estrangeiras: a Starbucks abriu 32 novas lojas no Brasil neste ano, na contramão do fechamento de unidades nos Estados Unidos.

Segundo Burel, o plano não é acelerar o número de inaugurações, mas modernizar as lojas já existentes e ampliar os produtos técnicos dentro delas.