Lula foi reeleito, mas terá um Congresso de maioria de direita a partir de fevereiro de 2027. Segundo a ARX Investimentos, direita e centro-direita somam 56,9% da Câmara e 63% do Senado, com o PL como maior bancada das duas Casas.

Na Câmara dos Deputados, a direita tem 303 dos 513 deputados (59,1%), ante 86 do centro e 124 da esquerda. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, lidera a bancada que mais cresceu desde 2022, com 121 deputados, ante 97 eleitos naquele ano.

No Senado, o PL também é a maior bancada, com 28 dos 81 senadores. O PT, partido de Lula, elegeu 9.

O novo Congresso toma posse em 1º de fevereiro de 2027.

Sem maioria própria, Lula deve recorrer ao Centrão para aprovar suas propostas, segundo a ARX Investimentos. A eleição das mesas diretoras da Câmara e do Senado, também em fevereiro, é o primeiro teste de força do novo governo.

Como Lula pretende garantir apoio

O governo aposta na reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara e de Davi Alcolumbre (União-AP) no Senado, negociada em troca de apoio às pautas do Executivo a partir de fevereiro de 2027.

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O PL, porém, já oficializou Rogério Marinho contra Alcolumbre na disputa pela presidência do Senado. Marinho coordenou a campanha derrotada de Flávio Bolsonaro no 2º turno.

"Isso pode sim ajudar o governo, mas também pode trazer um custo e um desgaste para o presidente", avalia Cristiano Noronha, vice-presidente da consultoria Arko Advice.

Para Noronha, o 4º mandato deve ser marcado pelo envolvimento pessoal de Lula nas negociações, diferente do 3º governo. A estratégia pode ajudar a aprovar pautas, mas também expõe o presidente a derrotas que alimentam a percepção de fragilidade.

O governo também quer cobrar mais fidelidade da base aliada. No 3º mandato, mesmo com três ministérios, o União Brasil garantiu só entre 60% e 65% dos votos da bancada na Câmara, segundo Noronha.

A fidelidade partidária nunca foi garantia, mesmo com cargos no primeiro escalão.

A liberação de emendas parlamentares, outra moeda de troca tradicional, também deve pesar: parlamentares que perderam o mandato podem indicar R$ 11,6 bilhões em emendas de 2027 antes de deixar o cargo.

O que acontece agora

A eleição das mesas diretoras da Câmara e do Senado acontece em 1º de fevereiro, quando o novo Congresso toma posse. É o primeiro teste de força entre o governo e a oposição fortalecida pelas urnas de outubro.

Enquanto isso, Lula já testa a aproximação com o Centrão: convidou Motta e Alcolumbre para acompanhá-lo à COP31, na Turquia, na semana que começa na segunda-feira (9 de novembro).