O ministro do STF Gilmar Mendes afirmou, no sábado (7 de novembro), que ataques à integridade das urnas eletrônicas são "em vão" e revelam "intenções espúrias" de quem as propaga. Sem citar nomes, rebateu as acusações de fraude feitas por Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo o Valor Econômico, a publicação é lida como resposta a Flávio, que fugiu para os Estados Unidos após ser derrotado no 2º turno e contestar o resultado da eleição vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mendes lembrou que o PL, partido de Flávio, elegeu com o mesmo sistema eletrônico as maiores bancadas da Câmara e do Senado, além de seis governadores, em 2026. "Ainda assim, há quem alimente agora falsas narrativas contra o pleito", escreveu o ministro.

Como funcionam as auditorias das urnas

As urnas passam por três auditorias em todos os estados, nos dois turnos, segundo Mendes. O Teste de Autenticidade confirma que o programa instalado é o mesmo assinado e lacrado em cerimônia pública.

Já o Teste de Integridade confere, com e sem biometria, se a urna conta exatamente os votos que recebe. Urnas de diferentes regiões recebem votos pré-escritos por fiscais de partidos, e o resultado é conferido voto a voto.

A OEA enviou 179 observadores ao Brasil em 2026, a maior missão internacional já registrada no país, e concluiu que não há dúvidas sobre a integridade dos dados oficiais do TSE. O Carter Center classificou o processo como "bem-organizado e transparente".

"A sociedade brasileira sabe apartar as bravatas do discurso sério e responsável", escreveu Mendes.

Flávio já reconheceu que não tem provas da fraude que alega. Em entrevista à Folha de S.Paulo publicada na sexta-feira (6 de novembro), disse: "Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto".

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A estratégia do PL mudou de rumo: em vez de insistir em fraude, o partido pede a cassação da chapa Lula-Alckmin por abuso de poder econômico, citando o reajuste do Bolsa Família e o Pé-de-Meia Universitário.

No mesmo sábado, Flávio voltou a repetir uma alegação falsa sobre a vitória de Lula.

Ele também criticou o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, e disse que ele "não sabe do que fala".

O que acontece agora

A diplomação de Lula e Alckmin está marcada para 12 de dezembro, data em que o TSE oficializa o resultado do 2º turno.

Até lá, seguem em análise os pedidos de cassação movidos pelo PL contra a chapa eleita.