A classe trabalhadora branca, a base mais fiel do presidente Donald Trump, se fragmentou nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. O grupo ainda votou mais nos republicanos, mas perdeu 14 pontos percentuais para os democratas, segundo projeções do The New York Times.

Nos votos para a Câmara, os democratas conquistaram maioria de pelo menos 253 das 435 cadeiras. Entre o eleitorado geral, a migração para os democratas foi de 15 pontos, que fecharam as midterms com 56% dos votos.

Onde a fragmentação mais aparece

Entre homens brancos, 56% ainda apoiaram os republicanos, mas a migração para os democratas foi de 15 pontos. Entre eleitores brancos de 18 a 29 anos, a migração chegou a 30 pontos, e os democratas terminaram com 60% desse grupo.

Em outubro, véspera da eleição, pesquisa do NYT mostrou que 46% da classe trabalhadora branca desaprovava Trump, e 53% desaprovava a condução dele na economia.

O cenário é bem diferente do observado nas midterms de 2018, na metade do primeiro mandato de Trump, quando 65% desse grupo aprovava a condução dele na economia.

Candidatos escolhidos por Trump perderam em quatro estados nas midterms, resultado que já indicava o desgaste.

O que explica o desgaste

"Isso, sem dúvida, tem a ver com o preço do diesel e o efeito das tarifas comerciais. Mas mais interessante ainda é que a corrupção foi importante ou crucial para a maioria dos eleitores", diz Jorge Antonio Alvez, professor de ciência política na Universidade da Cidade de Nova York.

A queda de apoio também aparece no mercado: o resultado das midterms mexeu até com o Ibovespa e o dólar no Brasil, pelo peso econômico da eleição americana.

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A vitória democrata também deixou o futuro político de Flávio Bolsonaro mais incerto, pela proximidade dele com o trumpismo.

O que ainda não está claro

A fragmentação não é ruptura. A classe trabalhadora branca segue sendo o grupo mais fiel a Trump entre os que votaram nestas midterms.

Fica em aberto se a queda de apoio, puxada por preços e desconfiança sobre corrupção, se aprofunda nos próximos anos ou se estabiliza, como já aconteceu em outros momentos do primeiro mandato.