O Itamaraty classificou na quinta-feira (5 de novembro) a crise do Paraguai como assunto interno, horas depois de o presidente Santiago Peña renunciar sob pressão de um impeachment ligado ao colapso do banco Ueno. O Brasil não prevê manifestação oficial sobre o caso.

A renúncia foi anunciada horas depois de o Banco Central do Paraguai liquidar o Ueno Bank por insolvência. O banco tinha 2,9 milhões de clientes sem acesso às contas e mais de US$ 800 milhões em recursos públicos, segundo o Congresso em Foco.

O Ministério Público do Paraguai pediu investigação criminal sobre o banco e a prisão de dois dirigentes da instituição.

Ex-presidente Horacio Cartes, mentor de Peña, anunciou apoio ao impeachment na quinta-feira. Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025, ligação que virou alvo das acusações contra ele. A analista Isabel Mega, da CNN, resumiu a postura do Itamaraty:

"O que o Itamaraty está fazendo é o que sempre faz em casos do tipo: vai acompanhando os desdobramentos, fazendo monitoramento de perto, porque tem o entendimento de que o que está acontecendo neste momento no Paraguai é assunto dos paraguaios", disse Mega.

Qual é o efeito concreto para o Brasil?

O efeito mais concreto da crise paraguaia no Brasil já apareceu. O grupo empresarial Lide, fundado por João Doria, adiou o Summit Brasil-Paraguai, que reuniria 100 empresários dos dois países em Assunção, previsto para 13 de novembro, para janeiro de 2027.

É o primeiro sinal concreto de que a crise já afeta a relação econômica entre os dois países.

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Em nota, o Lide afirmou que "permanecem os objetivos e os temas centrais do Summit". Há ainda 270 mil brasileiros vivendo no Paraguai, segundo o Itamaraty, no mesmo país que concentra boa parte dos pedidos de residência de brasileiros aceitos no exterior.

A hidrelétrica de Itaipu, que já enfrenta pressão de um acordo entre Estados Unidos e Paraguai, diz não ver, por ora, impacto da crise política na operação. O diretor-presidente da usina binacional, Enio Verri, afirmou seguir a mesma linha do Itamaraty.

O que acontece agora

O próximo passo é formal. O Congresso paraguaio precisa aceitar a renúncia de Peña para que o vice-presidente Pedro Alliana assuma o cargo até agosto de 2028, fim do mandato original. A Câmara dos Deputados já rejeitou um pedido de impeachment contra Alliana.

Mesmo após a saída, a Câmara aprovou por unanimidade seguir com o julgamento de impeachment contra Peña. A oposição quer que ele seja formalmente destituído antes de deixar o cargo, para que perca o foro privilegiado.

Senadores de oposição pediram sessão extraordinária do Senado para tratar do caso.