Integrantes do governo Lula trabalham com a expectativa de uma reunião bilateral entre o presidente brasileiro e o americano Donald Trump ainda neste ano, à margem da cúpula do G20. O encontro está marcado para 14 e 15 de dezembro, em Miami, na Flórida.

Segundo apuração da CNN Brasil, até a quarta-feira (4 de novembro) não havia pedido formal de nenhum dos dois lados. A expectativa surgiu depois de Trump declarar publicamente que falaria com Lula, ao ser questionado sobre a vitória eleitoral do presidente brasileiro.

O republicano ainda não telefonou nem enviou mensagem oficial.

Vitória que, aliás, Trump ainda não reconheceu, nem parabenizou, mas disse que vai falar com Lula.

A observação é da âncora Débora Bergamasco, em apuração para o CNN 360º da quarta-feira. Segundo ela, o governo brasileiro avalia tomar a iniciativa de pedir o encontro caso não haja sinalização do lado americano nos próximos dias.

"Governo Lula está empoderado, foi reeleito, renovou seu capital político, e tem o enfraquecimento de Donald Trump, com essa derrota dos republicanos no Congresso americano", afirmou Bergamasco, relacionando o momento político dos dois lados.

Em entrevista à CNN Brasil, Trump já havia dito que a eleição brasileira "pareceu mais fraudada", sem apresentar provas, mas afirmou gostar do presidente reeleito e se dar bem com ele.

Outros líderes internacionais, como os da China, da França, da Espanha e de Portugal, já reconheceram o resultado e parabenizaram Lula.

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O que trava a nomeação do embaixador americano

O principal entrave na relação diplomática ainda é o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil, vago desde o início do atual mandato de Trump. O republicano indicou o aliado Daniel Perez, presidente da Câmara de Representantes da Flórida.

O Senado americano já confirmou o nome de Perez para o posto. Falta o agrément, o aval que o país anfitrião dá à indicação de um embaixador estrangeiro.

Lula já havia dito que só avaliaria a liberação depois das eleições de 2026, e o governo chegou a adiar a decisão até depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

Com o pleito brasileiro encerrado e os americanos também concluídos, o Planalto avalia conceder o aval ainda neste ano, como gesto para destravar a relação entre os dois países.

O aceno de Trump chega num momento em que o governo brasileiro se vê fortalecido pela reeleição e pela derrota republicana nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o que muda o peso de cada lado na negociação diplomática.

O que acontece agora

Os chanceleres dos dois países já se encontraram informalmente em outubro. Mauro Vieira e Marco Rubio se cumprimentaram em um evento do G20 e marcaram um novo contato para novembro.

Lula já convidou Trump para a cerimônia de posse mesmo sem o americano reconhecer formalmente a vitória no 2º turno. A cúpula do G20 em Miami será a 21ª edição do encontro e ocorre no complexo Trump National Doral.

Até a publicação desta matéria, nenhum dos dois governos havia confirmado data ou formato para uma reunião bilateral entre os presidentes.