O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), disse na quarta-feira (4 de novembro) que a vitória democrata nas eleições dos EUA amplia a pressão sobre o tarifaço de Trump, mas não reverte as tarifas automaticamente.

Segundo o senador, a conquista das duas Casas pelo Partido Democrata abre espaço para pressão política, investigações e questionamentos sobre as medidas comerciais do governo republicano. A mudança ocorre em meio à reorganização das relações comerciais internacionais, segundo ele.

Para o Brasil, os efeitos vão além da relação bilateral. A disputa entre os poderes em Washington pode influenciar decisões sobre tarifas, acordos comerciais e regras que afetam parceiros econômicos dos Estados Unidos.

Os democratas já garantiram ao menos 54 das 100 cadeiras do Senado na eleição de terça-feira (3 de novembro), contra 44 dos republicanos. A vitória dá à oposição mais poder para travar propostas do governo Trump a partir de janeiro de 2027.

O Congresso pode derrubar a tarifa sozinho?

Não sem o apoio republicano. Os democratas podem tentar aprovar leis que limitem as tarifas, mas Donald Trump pode vetar essas propostas. Superar o veto exige dois terços dos votos na Câmara e no Senado, maioria que a oposição não tem.

A eleição que definiu o novo Congresso americano foi tratada pelo Planalto como possível freio a Trump na América Latina. Mas o próprio governo evita comemorar.

Em entrevista, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou: "Não, nada, não muda absolutamente. O Brasil segue no seu percurso".

A avaliação é compartilhada, com ressalvas, pela professora Ana Carolina Marson, da FESPSP. Para ela, é possível melhorar o relacionamento entre os dois países, mas isso não significa mudança completa na política tarifária americana.

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Quanto pesa a tarifa que os EUA aplicam ao Brasil

A tarifa adicional aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros é de 25%, anunciada em julho. Ela se soma a uma sobretaxa anterior de 50%, anunciada em 2025 e em vigor desde 1º de agosto de 2026.

A lista de exceções do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) reúne os itens que escapam da cobrança.

Uma nova proposta americana sobre as tarifas é esperada ainda esta semana, segundo fontes do governo brasileiro. O governo já havia sinalizado a expectativa de resposta dos Estados Unidos após a definição do resultado eleitoral.

O que acontece agora

Trad disse que vai promover uma audiência pública no Senado para discutir o papel da indústria brasileira na disputa comercial entre Estados Unidos e China, e defendeu que o governo Lula mantenha atuação em organismos multilaterais como a OMC.

Os democratas que retomaram o controle da Câmara dos EUA já miram fiscalizar Trump.

A posse efetiva da nova maioria só ocorre em 3 de janeiro de 2027.