Eleitores dos Estados Unidos foram às urnas na terça-feira (3 de novembro) para escolher o Congresso e, nas filas de votação, também perguntaram sobre a eleição presidencial no Brasil e a fuga do senador derrotado Flávio Bolsonaro para o país, segundo o Valor.

Flávio perdeu a disputa para Lula (PT) em 25 de outubro e cruzou a fronteira para a Argentina dois dias depois, descumprindo o prazo do STF para entregar o passaporte. Dali, seguiu para o Equador e depois para Miami, nos EUA, onde pediu refúgio político.

"Que história é essa que tem um candidato do Brasil nos EUA? Eu li por cima", perguntou David, eleitor de Fredericksburg, na Virgínia, que já trabalhou em missões evangélicas na Amazônia peruana.

Alex, executivo de tecnologia, quis saber se as acusações contra o ex-candidato eram legítimas e admitiu não ter acompanhado o caso de perto. Uma eleitora democrata comentou a força do exército digital bolsonarista, na esperança de que a tática chegue aos democratas americanos em 2028.

Por que Flávio virou assunto nos EUA?

Phillip Carter, consultor e ex-diplomata, viu no caso a proximidade de Trump com a direita latino-americana.

"Toda essa ideia de se alinhar a Putin. E agora essa loucura com Bolsonaro do Brasil aqui, que ele está apoiando. Os americanos precisam ficar de fora da política dos outros povos", disse Carter.

Desde que chegou aos EUA, Flávio reapareceu em público num culto evangélico e passou a ser visto como incômodo para o governo americano.

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O visto usado por ele para entrar no país foi negado em quase 85% dos pedidos da mesma categoria em 2026, segundo levantamento sobre os vistos negados nos EUA. O número alimenta o debate sobre como ele conseguiu o documento tão rápido.

O que acontece agora

O resultado das midterms da terça-feira (3 de novembro) define o controle do Congresso americano. Uma vitória democrata na Câmara abriria caminho para investigar a concessão do visto a Flávio e sua família.

No Brasil, o STF segue com o processo por suspeita de lavagem de dinheiro que motivou a fuga, sob relatoria de Moraes, enquanto o Departamento de Estado americano já informou que vai emitir os vistos para Flávio e a família.