O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), escolheu o senador Eduardo Braga (MDB-AM) para relatar o Orçamento de 2027, na terça-feira (3 de novembro). A escolha, à primeira vista técnica, está ligada à articulação de Alcolumbre para se reeleger à presidência da Casa em fevereiro.
Braga é próximo de Alcolumbre e já havia anunciado apoio à sua reeleição. Antes da definição, aliados de Alcolumbre cogitaram dar a relatoria a um senador do PL, Eduardo Gomes (TO), para tentar atrair parte da bancada do partido.
A conta de votos por trás da escolha
O cálculo é direto: o PL elegeu 19 novos senadores em 2026 e terá 29 das 81 cadeiras do Senado a partir de fevereiro, a maior bancada da Casa. Para ser eleito, o presidente do Senado precisa de maioria absoluta, 41 dos 80 votos.
Sem o apoio do PL, Alcolumbre depende de reconstruir uma base com outros partidos. Por acordo prévio, a relatoria do Orçamento já pertencia ao MDB.
O partido tinha a seu favor um dado concreto: bancadas do Norte e do Nordeste apoiaram Lula (PT) no 2º turno, e Braga está nesse grupo que permaneceu ao lado do presidente reeleito.
O PL já lançou a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), reafirmada por Flávio Bolsonaro após deixar o país. Parte do bloco governista, por outro lado, já migrou do apoio a Flávio para reforçar Alcolumbre.
Mesmo nesse bloco, há fissuras. O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) sinalizaram que não vão seguir a orientação oficial da própria federação partidária, a União Progressista, que já declarou apoio a Alcolumbre.
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Derrite defende a união em torno de Marinho. Tereza Cristina mantém candidatura própria e busca se apresentar como alternativa às duas outras opções, como já mostrou a movimentação de Alcolumbre para tentar ampliar sua base no Senado.
O que acontece agora
O Congresso tem até 22 de dezembro, segundo a expectativa do governo, para aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Orçamento de 2027, cuja análise foi adiada por causa da campanha eleitoral.
A líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), diz haver consenso entre governo e oposição para votar as contas em 17 de dezembro. A votação para presidente do Senado, em 1º de fevereiro de 2027, é secreta e individual.
O ponto em aberto
A disputa pela Mesa do Senado ajuda a explicar por que um cargo técnico como a relatoria do Orçamento virou moeda de troca política meses antes da eleição.
Falta saber se Alcolumbre vai conseguir votos do PL ou do Republicanos para chegar aos 41 necessários, ou se a disputa vai ficar entre três nomes até a votação secreta de fevereiro.































