Lula (PT) decidiu abrir o leque de opções para comandar a Casa Civil no quarto mandato, para evitar que a escolha seja lida como indicação de sucessor. Fernando Haddad e Camilo Santana, os favoritos, agora dividem espaço com outros nomes, segundo fontes próximas ao presidente.
A Casa Civil é considerada a pasta mais importante do governo federal.
A pasta coordena a ação dos ministérios e a relação com estados e municípios. Depois da vitória nas urnas, a disputa pela cadeira se afunilava entre os dois ex-ministros.
Haddad era o preferido antes da eleição. Camilo Santana ganhou força depois de entrar no núcleo da campanha que fez Lula virar o 2º turno, considerado peça-chave para a vitória.
Lula pondera com aliados que nomear um dos dois para a Casa Civil poderia ser lido como uma "unção" a um sucessor. O presidente foca no último mandato e não quer adiantar essa disputa, segundo interlocutores.
O presidente se mostra disposto a ouvir outros nomes. Aliados sugeriram a ex-ministra Gleisi Hoffmann como opção. Ela perdeu a eleição ao Senado no Paraná neste ano e está, hoje, sem mandato no Congresso.
Também são cogitadas posições que acomodem o peso político de Haddad e Camilo sem sinalizar a tal "unção".
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Auxiliares mencionam o futuro Ministério da Segurança Pública, que nasce se a PEC da Segurança for aprovada, e o Ministério da Educação, responsável pela universalização da escola em tempo integral e pelo Pé-de-Meia Universitário.
O precedente é de 2010. Depois dos dois primeiros mandatos de Lula, a sucessão coube a Dilma Rousseff (PT), que esteve à frente da Casa Civil entre 2005 e 2010.
Dilma era chamada de "mãe do PAC", por tocar o Programa de Aceleração do Crescimento, que concentrava as principais obras do governo.
Foi assim que a Casa Civil serviu de trampolim para a sucessão em 2010, padrão que Lula agora evita repetir.
A escolha também depende da base aliada. O presidente já sinalizou que vai condicionar ministérios a votos do Centrão no Congresso, o que amplia o número de nomes em jogo para toda a Esplanada, não só para a Casa Civil.
O que acontece agora
Lula ainda não deu prazo para anunciar a escolha. A decisão deve amadurecer junto com a definição dos outros ministérios, incluindo a eventual pasta de Segurança Pública. Haddad e Camilo seguem no comando de suas áreas atuais enquanto o debate avança.































