Um estudo brasileiro encontrou alterações genéticas herdadas em apenas 5,7% dos homens com câncer de próstata metastático, proporção menor que a registrada nos Estados Unidos e na Europa. A pesquisa analisou o DNA de 193 pacientes do SUS, recrutados nas cinco regiões do país.
A diferença, porém, pode não se confirmar.
"A contribuição genética parece ser menor aqui, mas ainda não dá para cravar", diz o geneticista Gabriel Macedo, do Hospital Moinhos de Vento e da Rede D'Or, responsável pela parte genética do estudo.
Os autores ressaltam que o dado é só um indicativo. São necessários novos estudos, com mais pacientes e amostras melhores, para confirmar se a diferença se mantém.
O câncer de próstata é o segundo tipo mais comum entre homens no Brasil e mata 46 pessoas por dia no país, segundo o Inca.
O estudo é do projeto Onco-Genomas Brasil, publicado na revista científica Genetics in Medicine Open. O programa é parceria do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, com o Ministério da Saúde.
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O que o estudo encontrou
O câncer de próstata metastático é aquele em que o tumor já se espalhou para outras partes do corpo, como os ossos. Entre outubro de 2022 e dezembro de 2023, os pesquisadores recrutaram 193 homens nessa condição, com idade média de 68 anos.
De cada paciente, a equipe analisou o DNA do sangue, que revela o que foi herdado, e o do tumor, que mostra o que foi adquirido ao longo da vida.
As alterações herdadas, ou germinativas, vêm do pai ou da mãe e estão presentes desde o nascimento em todas as células do corpo. Elas não causam o câncer sozinhas, mas aumentam o risco de desenvolvê-lo.
Já as adquiridas, ou somáticas, surgem só nas células do tumor ao longo da vida, e não passam para os filhos.
Analisando 148 genes ligados ao câncer em geral, 9,8% dos pacientes tinham alguma alteração herdada. Ao restringir aos genes já associados ao câncer de próstata, a proporção caiu para 5,7%.
Um achado chamou atenção dos pesquisadores. Um dos pacientes carregava a variante fundadora brasileira do gene TP53, encontrada quase exclusivamente na população do país.
O diagnóstico precoce segue sendo a principal ferramenta contra a doença. Novos tratamentos com menos efeitos colaterais foram aprovados pelo Conselho Federal de Medicina em maio.
O que acontece agora
Os pesquisadores do Onco-Genomas Brasil seguem recrutando pacientes de outras regiões para ampliar a amostra. O objetivo é confirmar, com mais dados, se a menor frequência de mutações herdadas realmente diferencia a população brasileira das demais.































