O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, afirmou que o risco de invasão dos Estados Unidos à ilha é real. Em entrevista à Agência Brasil, na quinta-feira (29 de outubro), ele disse que o povo cubano se prepara para o ataque.

"O povo cubano se prepara hoje para uma invasão real dos EUA", afirmou.

Cairo Palomo rejeitou a acusação americana de que Cuba representa ameaça aos Estados Unidos. "Um país bloqueado, pequeno e economicamente asfixiado não tem a capacidade de pôr em risco a primeira potência do mundo. Essa acusação é ridícula", afirmou.

A pressão econômica dos EUA contra Cuba inclui bloqueio energético com ameaças a países que vendem petróleo à ilha. Segundo o embaixador, Cuba ficou três meses sem receber um barril de petróleo, além de perder voos internacionais, hotéis estrangeiros e a bandeira Visa.

A crise interna se agrava. Outra reportagem mostrou como o transporte público em Cuba caiu a um mínimo histórico, reflexo direto da falta de combustível.

A tensão vem crescendo desde janeiro de 2026, quando a Casa Branca classificou Cuba como "ameaça incomum e extraordinária" à segurança dos Estados Unidos. Em março, Trump afirmou que teria a "honra de tomar Cuba".

Qual é a posição do Brasil?

O governo brasileiro se posiciona contra qualquer ataque. Questionado sobre o tema em entrevista na segunda-feira (20 de outubro), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que seria "contra a invasão de Cuba", na mesma linha da Venezuela e da Ucrânia.

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Brasil, Espanha e México também assinaram carta conjunta defendendo o respeito ao direito internacional e à integridade territorial das nações. O texto não cita Cuba diretamente, mas reforça a posição brasileira contra intervenções militares.

Em julho, o governo brasileiro já havia enviado 48 toneladas de leite em pó a Cuba em dois voos da Força Aérea Brasileira, diante da crise de desabastecimento agravada pelo bloqueio americano. A operação foi coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, ligada ao Itamaraty.

O portal já cobriu esse momento. Em outubro, outra reportagem mostrou como os apagões em Cuba se agravaram e levaram o Brasil a enviar ajuda humanitária.

O apoio ao fim do bloqueio caiu ao menor nível em 20 anos

A entrevista aconteceu um dia depois de a Assembleia Geral da ONU aprovar, pela 34ª vez desde 1992, resolução contra o embargo dos EUA a Cuba. O texto teve 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções, incluindo o do Brasil.

Foi a pior adesão à resolução em duas décadas, como o portal mostrou no dia seguinte à votação, ao mostrar a queda de apoio internacional ao bloqueio.