A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25 de outubro), com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), interrompeu a onda de vitórias da direita apoiada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na América Latina.
Agora a Casa Branca terá de recalcular a pressão sobre a região, avaliam especialistas internacionais. Desde que voltou ao poder, em janeiro de 2025, Trump apoiou candidatos de direita nas eleições da Colômbia, do Peru, de Honduras e da Costa Rica.
Sob essa pressão, Colômbia, Peru, Costa Rica, Chile, El Salvador e Argentina giraram para a direita nos últimos dois anos, segundo o G1. O Brasil foi o único país da região a não eleger a direita nesse período.
O governo americano lançou uma operação militar no Caribe e invadiu a Venezuela para capturar o presidente Nicolás Maduro. Também enviou tropas a Colômbia, Panamá e Honduras, operou no Equador e incluiu as facções PCC e CV na lista de terroristas do Pentágono.
Drones MQ-9 Reaper, antes na África, foram deslocados para o Equador e a Colômbia.
A estratégia inclui o Escudo das Américas, coalizão que o governo brasileiro vê como cerco ao país. Para o analista Christopher Sabatini, do Chatham House, o Brasil era "o maior prêmio" da estratégia americana na região, por ser rico em minerais e terras raras.
Sem essa "cereja no bolo", a Casa Branca tentará "driblar" o Brasil para seguir ampliando a Doutrina Monroe, estratégia de 200 anos dos EUA para a região, segundo Sabatini. A reeleição de Lula obriga Washington a repensar o interlocutor na América do Sul.
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Para o pesquisador Ricardo Leães, "o Brasil era a peça que faltava" para a estratégia de segurança de Trump. "A eleição no Brasil era chave" para os planos dele. Ele queria "dominar todo o nosso subcontinente", disse ao Brasil de Fato.
Mesmo com a derrota de Flávio, Trump segue de olho nos minerais estratégicos do Brasil.
O que acontece agora
Trump já chamou a reeleição de Lula de uma "desgraça" a jornalistas, mas disse que ainda vai conversar com o petista, sem data marcada. Antes da reeleição, analistas já apontavam a relação com os EUA como o maior desafio de um quarto mandato do presidente.































