A Casa Branca do presidente Donald Trump passou meses se preparando para uma eventual vitória democrata no Congresso nas eleições de meio de mandato de terça-feira (3 de novembro), mapeando ações executivas sobre imigração, tarifas e gastos que dispensam a aprovação do Legislativo.

Altos funcionários trabalham com o Gabinete Jurídico da Casa Branca desde abril para identificar onde o presidente pode agir sozinho. Entre eles estão o vice-chefe de gabinete Stephen Miller e o diretor de orçamento Russell Vought.

O conselheiro da Casa Branca Will Scharf e sua equipe avaliam o que Trump pode fazer legalmente por conta própria e como defender essas decisões no tribunal, segundo apuração do jornal Valor, que ouviu fontes da Casa Branca sob condição de anonimato.

Os democratas precisam de um ganho líquido de 4 cadeiras na Câmara para reverter a maioria republicana de 218 a 214, e também disputam o controle do Senado, hoje com maioria de 53 a 47 para os republicanos.

Pesquisas indicam vitória democrata na Câmara. O Senado segue indefinido.

Trump fez comícios pelo país no último mês tentando manter o controle republicano do Congresso, enquanto assessores se preparavam, em privado, para um Congresso dividido em 2027. A Casa Branca rejeitou a possibilidade de derrota republicana e acusou a mídia de promover uma narrativa falsa.

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O que isso significa para o Brasil

Entre as áreas mapeadas para ação executiva está o comércio exterior, a mesma ferramenta usada contra o Brasil. Desde 22 de julho, o país enfrenta tarifa adicional de 25% somada a uma sobretaxa de 12,5%, ambas por decreto do USTR, sem aprovação do Congresso.

A segunda sobretaxa entrou em vigor em 24 de julho. Somadas, as duas chegam a 37,5% sobre produtos brasileiros, com carnes, café e minérios de fora da cobrança.

As tarifas foram reimpostas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) depois que a Suprema Corte derrubou o tarifaço anterior por considerar que Trump havia extrapolado sua autoridade sem aval do Congresso.

É exatamente esse tipo de ação, sem precisar do voto de nenhum deputado ou senador, que a Casa Branca quer blindar caso perca o Congresso em 2027.

O que acontece agora

O resultado sai na noite de terça-feira (3 de novembro), quando ficam decididos os 435 assentos da Câmara e um terço do Senado. Até lá, a disputa também é lida em Brasília como termômetro da política comercial dos Estados Unidos.