Os Estados Unidos retiraram, a partir de 30 de outubro, a tarifa de 50% sobre madeira, papel e maquinário do Canadá. O Brasil segue sob o tarifaço, e as exportações aos EUA caíram 9,7% entre janeiro e agosto, para US$ 24,11 bilhões, aponta o MDIC.
A mudança está numa proclamação assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com base na Seção 338 da lei de tarifas de 1930. Ela tira produtos como compensado de madeira, papel, maquinário e embalagens da lista de tarifa de 50%.
Em troca, a proclamação inclui outros itens na lista, como tintas, carpetes e caixões. A mudança saiu 11 dias antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, pleito que analistas associam ao futuro das negociações tarifárias com o Brasil.
No Brasil, o cenário é o oposto. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações ao mercado americano somaram US$ 24,11 bilhões entre janeiro e agosto, queda de 9,7% ante o mesmo período de 2025.
A perda chega a cerca de US$ 3 bilhões no ano, atribuída pelo órgão ao contexto do tarifaço e à dinâmica de oferta e demanda do mercado.
O que muda para o exportador brasileiro
Para o exportador brasileiro, nada muda com a decisão sobre o Canadá. O Brasil segue com tarifa adicional sobre a maior parte dos produtos enviados aos Estados Unidos, sem a isenção que passou a valer para itens canadenses a partir de 30 de outubro.
Café, suco de frutas, petróleo e aço estão entre os mais afetados. O MDIC registrou queda de 44,2% nas exportações de suco de frutas, 34,1% no café não torrado, 25,5% no petróleo bruto e 11% nos produtos de ferro e aço acabados.
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A comparação é sempre entre janeiro e agosto de 2026 e o mesmo período do ano anterior. No agronegócio como um todo, o tarifaço já havia reduzido as vendas externas em 17,8%, segundo balanço divulgado neste mês.
Os quatro produtos têm em comum a dependência histórica do mercado americano, e a queda neles ajuda a explicar a perda de espaço dos EUA no comércio externo brasileiro ao longo de 2026.
A fatia dos EUA nas exportações do Brasil caiu de 12,1% para 9,4%.
O que acontece agora
Para compensar o impacto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou a Medida Provisória 1397/26, liberando crédito extraordinário de R$ 6,5 bilhões para financiar exportadores e fornecedores afetados pelas tarifas americanas.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, chamou a tarifa de 50% de "perde-perde" para os dois países.
"Nos atrapalha em mercado, emprego e crescimento, e encarece os produtos americanos", disse Alckmin sobre a tarifa imposta pelos Estados Unidos. "A negociação não terminou, ela começa hoje", completou.
Cerca de 2,4 mil empresas brasileiras, responsáveis por 18% das vendas ao mercado americano, foram afetadas pelas tarifas, com destaque para madeira, equipamentos elétricos, móveis, cerâmica e calçados.
Lula e Flávio Bolsonaro, os dois candidatos ao 2º turno de domingo (25), apresentam planos opostos para lidar com o tarifaço americano.































