A OPEP+ manteve inalteradas as metas de produção de petróleo para dezembro, em decisão tomada por sete países-membros no domingo (1º de novembro). É a terceira manutenção seguida, e adia para 29 de novembro a decisão sobre as cotas de 2027.
Sete países formam o núcleo que decide a produção mensal da Opep+: Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã. Os Emirados Árabes Unidos participavam até sair do cartel, em maio.
Por que a decisão de hoje foi considerada fácil?
Foi fácil porque as metas de outubro, novembro e dezembro são as mesmas. Os países do Golfo aumentaram as exportações nas últimas semanas, após meses de interrupção pela guerra. Ainda assim, a maioria dos sete produz bem abaixo das próprias metas.
"A decisão de hoje foi a mais fácil", disse Jorge Leon, analista da consultoria Rystad Energy. "O teste muito mais importante virá na reunião ministerial de 29 de novembro, quando a Opep+ decidirá seu quadro de produção para 2027."
O que está em jogo em 29 de novembro?
Está em jogo o tamanho da oferta mundial em 2027, e os sinais apontam em direções opostas. A Agência Internacional de Energia alertou para um possível excesso de oferta em 2027 caso o fluxo pelo Estreito de Ormuz volte ao normal.
O preço, por ora, caminha no sentido inverso. O Brent fechou a sexta-feira (30 de outubro) a quase US$ 118 o barril, o maior valor desde abril. Só em outubro, o impasse em Ormuz custou R$ 14 bilhões ao governo brasileiro.
O preço mais alto em seis meses já levou o governo brasileiro a prorrogar o subsídio ao diesel para segurar o repasse na bomba.
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No início de outubro, o barril chegou a recuar com sinais de diálogo entre Irã e Catar. O repique mostra como o mercado segue refém da guerra.
A Opep+ ainda mantém uma camada extra de cortes de cerca de 2 milhões de barris por dia, que abrange a maioria dos membros até o fim de 2026. Essa reserva é o que o grupo tem para reagir depois de 29 de novembro.
O ponto em aberto
A Opep+ decidiu não decidir.
Em 29 de novembro, o cartel vai escolher entre segurar a oferta restrita, o que pressiona o bolso de quem abastece no Brasil, ou liberar petróleo num mercado que a Agência Internacional de Energia já projeta com excesso.
É a primeira vez, desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, que a decisão da Opep+ não depende só da guerra.

































