Um capotamento matou quatro jovens na madrugada do domingo (1º de novembro), na rodovia AMG-1205, no trecho conhecido como Curva do Borbinha, em Ferros, na Região Central de Minas Gerais. O acidente aconteceu por volta de 1h30, quando o carro saiu da pista.

As vítimas, dois homens de 24 e 26 anos e duas mulheres de 21 e 16 anos, morreram no local. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), o grupo voltava de uma cavalgada realizada em uma cidade vizinha a Ferros.

O trecho é uma via sinuosa de pista simples, sem iluminação pública, que liga a área urbana de Ferros ao entroncamento da rodovia MGC-120.

Ao passar pela curva fechada, o condutor perdeu o controle da direção, e o carro saiu da pista e capotou na margem.

Por que esse tipo de acidente se repete tanto em MG?

Minas Gerais é o estado com mais acidentes e mais mortes em rodovias federais do Brasil. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o estado somou 5.451 acidentes e 453 mortes entre janeiro e julho de 2026.

Isso equivale a 25 ocorrências e 2 mortes por dia. Minas tem a maior malha rodoviária federal do país, com 9,2 mil quilômetros de extensão — fator que os próprios dados da PRF apontam como parte da explicação para a liderança no ranking de acidentes.

Rodovias de outras regiões do estado já registraram tragédias semelhantes neste ano, como a colisão entre ônibus e carreta que matou 6 pessoas na BR-116, em setembro.

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A má condição das estradas mineiras também pesa: 65,4% das rodovias de MG são consideradas ruins pela CNT.

A rodovia onde ocorreu a tragédia desta madrugada, porém, é estadual, não federal. Segundo o jornal Estado de Minas, o trecho integra uma malha viária regional com histórico recorrente de acidentes severos nos últimos seis meses.

A equipe do CBMMG em Itabira fez o resgate e o desencarceramento dos corpos. Uma Unidade de Suporte Avançado (USA) do Samu apoiou o atendimento, e a perícia da Polícia Civil foi acionada para apurar velocidade e fatores mecânicos do capotamento.

Rodovias de pista simples e sem acostamento, como a que liga Ferros à MGC-120, concentram boa parte das mortes em trechos que já registraram aumento de acidentes em outras regiões do estado neste ano.

O ponto em aberto

O histórico recente de acidentes graves no trecho levanta a pergunta que ainda não tem resposta oficial: que medida de sinalização, iluminação ou fiscalização falta para reduzir o risco nessa malha viária regional. É uma pergunta sobre a estrada, não sobre quem estava no carro.