Os Estados Unidos elegem nesta terça-feira (3) toda a Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado nas eleições de meio de mandato, as midterms. O resultado pode mudar o rumo do tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, em vigor desde 2025.
O sistema eleitoral americano não tem órgão que centralize a apuração, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no Brasil. Cada um dos 50 estados organiza a própria votação, em cédula de papel, urna eletrônica ou pelo correio.
A apuração completa pode levar dias além da data da votação.
Segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 21 de setembro, 32% dos americanos aprovam o desempenho de Trump, o menor índice das duas gestões dele. O levantamento ouviu 1.277 adultos, com margem de erro de 3 pontos percentuais.
Entre republicanos, a aprovação caiu de 82% para 73% em uma semana. Pesquisa do Cook Political Report, em 37 distritos competitivos, mostra cenário parecido. Nesses distritos, 42% aprovam o presidente, e 58% desaprovam.
Dados da Ipsos mostram os democratas com vantagem de 9 pontos na disputa genérica pelo Congresso. Um Congresso sob controle democrata pode travar a agenda de Trump nos dois últimos anos do mandato dele, de impostos a política externa.
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O que muda no tarifaço contra o Brasil
O tarifaço contra o Brasil pode mudar de rumo dependendo do resultado desta eleição, que pode decidir o futuro da tarifa. Desde julho de 2025, parte das exportações brasileiras paga 25% a mais, após investigação dos EUA sob a Section 301.
A investigação envolveu comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento. Uma proposta americana de outubro de 2025 reuniu 21 pontos de negociação, incluindo compra de aeronaves Boeing e minerais críticos, vinculados a condições sobre eleições "livres e justas" no Brasil.
Caso os democratas conquistem a Câmara, podem abrir investigações de supervisão, convocar autoridades e exigir documentos sobre o uso de instrumentos comerciais para fins políticos. Com as duas Casas, a bancada poderia tentar rever as delegações de poder comercial ao Executivo americano.
O que acontece agora
A votação começa nesta terça (3) e a contagem pode se estender por dias, já que cada estado apura no próprio ritmo. No Brasil, o governo já retomou a negociação do tarifaço depois da própria eleição.
O governo brasileiro deve esperar o desenho do novo Congresso para seguir as tratativas. A pior aprovação de Trump desde 2002 é o pano de fundo da disputa.































