O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), disse nesta quarta-feira (28/10) esperar que o governo dos Estados Unidos não interfira nos assuntos internos do Brasil. A fala veio após Flávio, já na Flórida, divulgar carta à comunidade internacional.

"Ele [Trump] tem todo o direito de opinar sobre política externa, como o Brasil tem direito de opinar sobre política externa de qualquer outro país", disse Marinho a jornalistas. "Mas eu espero, de fato, que não haja nenhuma intervenção no processo interno do Brasil."

Na carta, Flávio pediu à comunidade internacional que não "normalize" o que chama de perseguição política no Brasil contra sua pessoa. "O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal", escreveu.

A primeira versão do documento trazia um brasão antigo da República, grafado "Estados Unidos do Brazil". Após repercussão, aliados distribuíram uma segunda versão com o brasão oficial atual.

Flávio deixou o Brasil na terça-feira (27/10) com a mulher e as duas filhas adolescentes, passou pela Argentina e chegou à Flórida na manhã desta quarta.

A Polícia Federal pediu, por ordem do ministro Alexandre de Moraes (STF), a entrega do passaporte em 24 horas — prazo que venceu na segunda (26/10) sem cumprimento. Uma autoridade da Casa Branca informou que os EUA vão dar visto a Flávio e à família.

Marinho afirmou que Flávio precisou deixar o país para preservar a liberdade diante do risco político de ser preso por ter sido candidato, mas reconheceu que não há ordem de prisão contra o senador.

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"Politicamente, ele não tem condições de continuar no Brasil sob pena de ser preso pelo simples fato de ter ousado ser candidato", declarou.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito no 2º turno com 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 de Flávio, optou por não responder diretamente à carta.

O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), pediu a união de partidos e da sociedade civil em defesa da democracia e disse ter recebido o texto de Flávio com "total perplexidade". Lula já havia chamado a saída do país de "vergonhosa" na véspera.

A Casa Branca já havia se manifestado antes da carta: Trump repetiu que não vai se envolver na eleição brasileira, mesmo após receber Flávio em território americano.

O que acontece agora

O PL deve oficializar, em 4 de novembro, a candidatura de Marinho à presidência do Senado, contra o atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca a reeleição.

Com a fuga de Flávio, o partido perdeu sua principal liderança nacional às vésperas da articulação. O caso segue sob análise da Justiça, que pode avaliar pedido de prisão preventiva pelo descumprimento da ordem de entrega do passaporte.