O governo de Donald Trump entrou numa fase de militarização extrema na guerra às drogas da América Latina, diz especialista à BBC News Brasil. O Brasil foi citado por nome em documento ao Congresso dos EUA por falhar contra o PCC e o Comando Vermelho.
Mesmo assim, o país segue fora da coalizão armada liderada por Washington.
"É absolutamente uma nova era, por vários elementos. Um deles é a militarização extrema, sem precedentes", afirma a cientista política Vanda Felbab-Brown, pesquisadora sênior do think tank Brookings Institution, em Washington.
Para ela, diferente de fases anteriores, como a atuação de forças especiais americanas na Colômbia, o componente de fortalecimento institucional que existia naquele caso está hoje "completamente fora da agenda".
Felbab-Brown batiza a estratégia de "Doutrina Donroe", numa referência à Doutrina Monroe de 1823, que defendia a predominância dos Estados Unidos no continente. Segundo ela, a agenda de Trump está ligada a um projeto político de extrema direita.
O Conselho de Direitos Humanos da ONU classificou as mortes causadas pelos ataques como crimes contra a humanidade. A operação mira embarcações no Caribe e no Pacífico Leste desde setembro de 2025, com alvos também em território venezuelano.
Por que o Brasil ficou de fora da coalizão?
O Brasil não integra o Escudo das Américas, a coalizão de 17 países lançada por Trump em março, porque o governo Lula recusou a adesão. O motivo: a avaliação de que os EUA tentaram interferir nas eleições de 2026 no país.
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Ainda assim, um documento enviado por Trump ao Congresso em 15 de setembro afirma que "o governo do Brasil não conseguiu enfrentar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho".
O governo brasileiro já havia sido acusado de falhar contra as duas facções no mesmo documento. A designação terrorista entrou em vigor em 5 de junho.
O caso brasileiro ocupa uma posição intermediária pouco comum: citado nominalmente pelos Estados Unidos, mas sem entrar nem na coalizão armada nem na lista dos países que mais falham no combate às drogas.
O Brasil não está entre os quatro países que o Departamento de Estado dos EUA classificou como tendo "falhado demonstravelmente" nas obrigações antidrogas: Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública rebateu as acusações dos Estados Unidos. Em nota, o órgão citou a Lei Antifacção, sancionada em março, e o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio.
A pasta também citou uma proposta de cooperação que Lula entregou a Washington em 7 de maio, e já havia respondido formalmente às críticas de Trump.
Brasil não cabe no quintal de ninguém.
A frase é de Lula, em discurso na Assembleia Geral da ONU, ao justificar a recusa à coalizão liderada pelos Estados Unidos.
O que acontece agora
A pressão dos Estados Unidos sobre a região segue em expansão. A TV Sim Brasil mostrou que o país já abriu uma unidade antidrogas na Argentina, com foco no PCC e no Comando Vermelho.
Os Estados Unidos também passaram a enviar drones à Colômbia e ao Equador. O Brasil segue fora da coalizão liderada por Washington.





























