O Partido Liberal (PL), que terá 29 senadores e a maior bancada do Senado a partir de 2027, está dividido sobre lançar candidatura contra o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), na eleição de 1º de fevereiro de 2027.

A ala mais ideológica do partido defende que tirar Alcolumbre da presidência é essencial para avançar com os pedidos de impeachment de ministros do STF, principalmente Alexandre de Moraes. Outros quadros temem perder a disputa e ficar sem espaço na Mesa Diretora.

Em 2023, o senador Rogério Marinho (PL-RN) enfrentou Rodrigo Pacheco, hoje ministro do TCU, pela presidência do Senado e perdeu por 49 votos a 32.

Com a derrota, o PL ficou sem o comando de nenhuma comissão e sem espaço na Mesa Diretora durante o biênio seguinte, mesmo tendo a segunda maior bancada da Casa.

PL tem cautela ou enfrentamento?

Em outubro, Alcolumbre já articulava a reeleição sem contar com o apoio do PL. Agora, o senador Efraim Filho (PL-PB) defende cautela antes de entrar na disputa.

Você tem que fazer essa avaliação de todos os cenários. Para ir e marcar posição, como foi no passado, tem que avaliar o desdobramento disso durante os dois anos. Essa é a hora de serenidade. Olhar, fazer conta e depois decidir a melhor estratégia.

"Tem que avaliar direitinho para não ter esse erro. Ficar sem nada é pior. Porque aí fica uma oposição grande no Senado, mas sem espaço, sem voz, sem nada. Vale a pena o risco?", questionou outro parlamentar do PL, ouvido sob sigilo pelo g1.

Em sentido oposto, o senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) defende o enfrentamento, sobretudo depois de Moraes determinar o cancelamento dos passaportes de Flávio Bolsonaro.

Publicidade

União-PP muda de lado e apoia Alcolumbre

A Federação União Progressista (União Brasil e PP) declarou apoio nesta terça (27) à reeleição de Alcolumbre, em nota assinada pelo deputado eleito Antonio Rueda e pelo senador Ciro Nogueira, presidentes das duas siglas, que somam 12 dos 81 senadores da nova composição.

O apoio marca uma guinada em relação à posição que os dois partidos tinham antes da eleição.

Cinco dias antes do 2º turno, PP e União Brasil haviam retirado o apoio a Alcolumbre, por ele seguir alinhado a Lula enquanto a federação apoiava Flávio.

Com a derrota de Flávio e a reeleição de Lula, os dois partidos reposicionaram a aliança. O apoio enfraquece os planos de candidatura da ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS), também cotada para o cargo.

O que acontece agora

A bancada de senadores do PL se reúne na quarta-feira (4/11) para decidir se lança candidatura. Lula já sinalizou a Alcolumbre e a Hugo Motta, presidente da Câmara, apoio do PT às reconduções dos dois, segundo o Estadão.