O primeiro carregamento de petróleo venezuelano ligado ao novo acordo entre Estados Unidos e Venezuela chegou ao Texas nesta terça-feira (27). O presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, foram a Corpus Christi ver um dos navios-tanque recém-chegados ao porto.
O acordo é com a North American Blue Energy Partners (NABEP), empresa americana que recebeu direitos por um século para perfurar 17 campos de petróleo na Venezuela. As áreas somam 65 bilhões de barris, cerca de um quinto das reservas do país.
Pelo acordo, assinado em agosto pelo secretário de Estado Marco Rubio e pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth, o Departamento de Guerra dos EUA ficou com 35% da controladora da NABEP, sem custo aos contribuintes americanos.
O Departamento de Estado também tem direito de comprar 20% da produção pelo preço de custo, e preferência para adquirir os outros 80% em caso de emergência no continente.
Este carregamento chegou ao Texas em pouco mais de uma semana
A frase é de Alejandro Betancourt, diretor executivo da NABEP. Ele também afirma pretender superar, em breve, a marca de 1 milhão de barris diários.
A empresa diz ter elevado a produção de cerca de 18 mil para mais de 200 mil barris por dia em dois anos.
O que isso tem a ver com o Brasil
O acordo reacende, no Brasil, o debate sobre soberania energética. O presidente Lula associou a exploração de petróleo à soberania nacional ao comentar a descoberta de hidrocarbonetos na Foz do Amazonas, área que o Ibama autorizou a Petrobras a perfurar em 5 de setembro.
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Lula defende que a receita do petróleo financie educação, saúde e infraestrutura no país, não empresas estrangeiras.
Ele teve autorização do TSE para discursar sobre soberania a um mês da eleição, no mesmo período em que o avanço dos EUA sobre o petróleo venezuelano reacendia a disputa por investimento na região.
O caso venezuelano mostra o risco de um país entregar o controle de suas reservas a uma estrutura estrangeira em troca de investimento imediato.
Betancourt enfrenta acusação grave na Venezuela. A opositora María Corina Machado chamou o negócio dele de corrupção escandalosa, em entrevista no Panamá, e disse que ele não seria parceiro viável caso ela chegue ao poder.
Na reportagem da TV Sim sobre o caso, Betancourt e a NABEP não haviam respondido à acusação. O Departamento de Estado americano disse apenas que María Corina "tem todo o direito de entrar em sua nação sempre que quiser voltar".
O que acontece agora
O Departamento do Tesouro dos EUA retirou a Venezuela da lista de países com restrição a investimento americano em 22 de outubro, quase dez meses após a captura do então presidente Nicolás Maduro. A ExxonMobil negocia à parte o retorno ao país.
A petroleira americana deixou a Venezuela há quase duas décadas e trata diretamente com a estatal PDVSA pelos campos de Petromonagas e do bloco Carabobo, no Cinturão do Orinoco.
O caso venezuelano também entrou na disputa do 2º turno no Brasil.
Aliados de Flávio Bolsonaro apontam que uma vitória dele facilitaria negócios brasileiros na Venezuela. María Corina, por ora, segue sem autorização para voltar ao país.































