O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articula a própria reeleição à frente da Casa em 2027, mesmo sem o apoio do PL. O partido de Valdemar Costa Neto vai lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN) contra ele na disputa.

A disputa ficou pública na quinta-feira (15/10), quando Alcolumbre retirou a PEC da Segurança da pauta de votação do Senado.

Marinho confrontou o presidente da Casa no plenário.

"A retirada de pauta se deveu ao pedido do governo?", questionou Marinho. "Não, a retirada de pauta se deveu à minha decisão da Presidência do Senado Federal", respondeu Alcolumbre.

Diante da insistência do colega de partido sobre a base da decisão, Alcolumbre foi direto: "Baseado na decisão da presidência do Senado Federal." Marinho insistiu: "O arbítrio é de vossa excelência, pura e simplesmente?" "Exatamente", confirmou o presidente do Senado, que arrematou: "Vamos mudar."

Dias antes, em 5 de outubro, Valdemar Costa Neto já havia avisado que o partido não apoiará Alcolumbre.

A sigla deve ter 28 a 29 senadores a partir de 2027 (o número varia conforme o levantamento), a maior bancada da Casa, e levará Marinho como candidato à presidência.

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Não tenho dúvida de que com a eleição de Flávio Bolsonaro conseguiremos mudar a presidência do Senado.

A frase é de Valdemar Costa Neto e condiciona a candidatura de Marinho a uma vitória do PL sobre Lula no 2º turno da eleição presidencial.

Quem decide o rumo de pautas como a PEC da Segurança até lá também depende dessa queda de braço dentro do próprio PL.

A estratégia de Alcolumbre é rachar os votos dentro da própria bancada do PL. Parte dos senadores eleitos pela sigla integra o grupo político do atual presidente do Senado, caso do vice-presidente da Casa, Eduardo Gomes (PL-TO).

Marinho, que diz que o eleitorado reconheceu o erro de eleger Lula em 2022, quer suceder Alcolumbre. Segundo aliados ouvidos pelo G1, Gomes deve ser escolhido relator do Orçamento de 2027, posição de peso na articulação.

Alcolumbre também soma apoio fora do PL.

Os líderes do MDB e do PSD, Eduardo Braga (AM) e Otto Alencar (BA), já declararam apoio à recondução. Na semana passada, Alcolumbre aprovou a votação da PEC que acaba com a escala 6x1, pauta de interesse do governo Lula.

Não é a primeira vez que Marinho disputa o comando do Senado. Em 2023, ele concorreu contra Rodrigo Pacheco, então no PSD, que teve apoio do governo e do grupo de Alcolumbre e venceu por 49 votos a 32.

O que acontece agora

A eleição para a Mesa Diretora do Senado ocorre apenas no início de 2027, mas a articulação já está em curso. Alcolumbre deve intensificar o diálogo com os senadores do PL para tentar dividir a bancada.

Marinho, por sua vez, tenta consolidar o apoio da cúpula do partido em torno de sua candidatura. O desfecho também depende do 2º turno, marcado para 25 de outubro: Valdemar só lança Marinho com força total caso Flávio Bolsonaro vença Lula.