A CPFL Energia negou, nos últimos 12 meses, pedidos de conexão de data centers que somam cerca de 8 gigawatts (GW), segundo o CEO da companhia, Gustavo Estrella. O motivo são gargalos na infraestrutura elétrica brasileira, principalmente na rede de transmissão de energia.

O volume negado equivale a oito vezes a demanda atual dos centros de dados em operação no país. Estrella falou durante a 17ª edição do Brazil Windpower, evento de energia eólica em São Paulo.

"Eu neguei cerca de 8 GW de capacidade de conexão de data centers por dificuldade de conexão", afirmou o executivo. Parte dos pedidos, reconheceu, tem caráter especulativo.

Torre de linha de transmissão de energia elétrica de alta tensão contra o céu
Torre de transmissão de alta tensão (foto ilustrativa) Foto: Novoklimov/Wikimedia Commons (CC0)

Segundo Estrella, o Brasil levou cerca de 16 anos para desenvolver uma demanda de 1 GW nesse mercado. Os novos pedidos pressionam uma infraestrutura cuja expansão leva mais tempo do que os investidores topam esperar.

O prazo médio para desenvolver a infraestrutura de transmissão necessária é de sete anos, segundo o executivo. As áreas de concessão da CPFL concentram cerca de 70% do consumo de eletricidade dos data centers brasileiros.

Para dimensionar as novas cargas, Estrella citou uma demanda de cerca de 350 megawatts (MW) para Campinas. Dois empreendimentos de 200 MW cada, porte já comum no mercado, somariam 400 MW, superando essa referência.

O que trava a conexão

Estrella aponta dois obstáculos ao crescimento dos data centers no Brasil: a carga tributária e a conexão ao sistema elétrico. Entre os dois, disse, o principal gargalo está na transmissão, responsável por levar grandes blocos de energia aos centros de consumo.

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A primeira barreira deve ser endereçada pela regulamentação do Redata, o regime especial de tributação que o Congresso já começou a aprovar.

A segunda é a própria velocidade da rede, tema que já colocava a energia como o teste decisivo para os data centers no país.

Nem todo projeto emperra: em junho, a Voltalia assegurou conexão de 322 MW à rede elétrica para data centers no Ceará, mostrando que o gargalo varia por região e depende da disponibilidade local de linhas de transmissão.