O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno de domingo (25/10), teria cruzado a fronteira para a Argentina na madrugada desta terça-feira (27/10) rumo aos Estados Unidos, diz o site argentino Infobae. A Polícia Federal apura a informação; a campanha nega a saída.

De acordo com o Infobae, Flávio teria cruzado a fronteira para a província argentina de Misiones usando a carteira de identidade. Ele teria embarcado em Puerto Iguazú, cidade vizinha a Foz do Iguaçu (PR), num jato Gulfstream G400 da empresa argentina Baires Fly, prefixo LV-JQW.

Dados do Flightradar24 citados pela publicação mostram que a aeronave partiu de Buenos Aires. Eles não indicam, porém, a rota seguida depois da parada em Puerto Iguazú.

A Polícia Federal entrou em contato com autoridades argentinas na manhã desta terça para apurar o relato, segundo a coluna do jornalista Igor Gadelha, no Metrópoles. A corporação havia intimado Flávio a entregar os passaportes comum e diplomático na segunda-feira (26/10).

A intimação veio depois de decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é relator do processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro.

A decisão corre sob sigilo de justiça: foi o próprio senador quem revelou a ordem em vídeo nas redes sociais, e não há documento público divulgado pelo STF.

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O ministro já havia bloqueado R$ 6 bilhões em bens de Tomaz, apontado como amigo próximo do senador, em decisão de 24 de outubro.

A investigação apura ainda se Flávio é beneficiário de recursos da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, também sob investigação da PF.

Nunca pensei em sair do país. Vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar.

A frase é de Flávio Bolsonaro, em vídeo publicado nas redes sociais depois de receber a ordem de Moraes. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha do senador, negou a saída do país nesta terça. "Não saiu", disse à coluna de Igor Gadelha.

A informação de que o senador teria deixado o Brasil surge horas depois de o STF determinar a retenção dos documentos de viagem dele.

Flávio atribui a decisão de Moraes a uma fala do irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro. Em 23 de outubro, Eduardo defendeu que Flávio deixasse o país caso perdesse a eleição.

"Isso se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro de que eu deveria deixar o país se eu perder essa eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é Justiça?", questionou o senador.

Eduardo, que responde a mandado de prisão determinado por Moraes desde 8 de outubro, deixou o Brasil antes da ordem e permanece nos Estados Unidos. Lá, chegou a discursar ao lado do argentino Javier Milei.

O que acontece agora

A Polícia Federal aguarda resposta das autoridades argentinas sobre a passagem de Flávio por Puerto Iguazú, para confirmar ou descartar o relato do Infobae. O senador segue sob a ordem de entregar os passaportes comum e diplomático a Moraes, decisão que diz que vai cumprir.