O presidente americano Donald Trump ligou para Elon Musk na quarta-feira (21) e pediu que o empresário suspendesse as restrições que ele mesmo havia imposto, dias antes, à versão militar do Starlink usada pela Ucrânia, a Starshield, usada por tropas em combate.
Segundo autoridades dos EUA e da Ucrânia ouvidas pelo Wall Street Journal, o serviço melhorou na quinta-feira (22), pouco depois da ligação. A melhora não foi uniforme. Alguns militares relataram velocidades mais altas, outros seguiram com as mesmas limitações.
Musk havia restringido a velocidade do Starshield em 14 de outubro. O motivo, segundo reportagens americanas, foi a irritação dele e de Trump com os ataques ucranianos a refinarias de combustível russas, que Trump já havia criticado por elevar o preço da energia.
Musk reagiu a um vídeo da Casa Branca sobre o tema com a frase "Zelensky foi longe demais".
A conexão disponível caiu para menos de 130 km/h ante uma exigência declarada de 160 km/h, segundo o especialista em guerra Michael Kofman, da Carnegie Endowment for International Peace.
Para Kofman, o limite comprometeu o uso de drones ucranianos em combate e ajudou mísseis russos a escapar de defesas. A retirada da restrição pode ampliar a capacidade de ataque a alvos em profundidade operacional.
Continuamos aguardando informações e esclarecimentos do lado estadunidense sobre a situação. Ainda não houve resposta.
A frase é de um representante ucraniano em Washington. Musk e a SpaceX não responderam a pedidos de comentário do Wall Street Journal sobre o episódio.
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O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse não ter conhecimento prévio da restrição. Já o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o Pentágono não deu ordens para retirar recursos, embora a SpaceX controle os termos do serviço.
Nenhuma autoridade do governo americano assumiu ter ordenado a restrição, o que deixa a decisão sobre um recurso militar crítico nas mãos de uma empresa privada.
Não é a primeira vez que uma ordem pessoal de Musk afeta operações ucranianas. Em setembro de 2022, ele mandou cortar o sinal do Starlink em áreas como Kherson durante uma ofensiva, e funcionários da SpaceX desativaram ao menos 100 terminais.
O corte de 2022 também impediu um ataque de drones navais ucranianos a navios russos em Sevastopol. O controle sobre os drones falhou a 70 km do alvo.
Em 2023, os senadores americanos Elizabeth Warren, Jeanne Shaheen e Tammy Duckworth cobraram explicações do Pentágono sobre o episódio.

Quem decide o que acontece com o Starlink
O episódio reacende uma pergunta que já estava em aberto desde 2022. Até onde vai o poder de um único empresário sobre um recurso que hoje é essencial para a defesa de um país em guerra?
O caso ganha outra camada porque, meses antes, o Pentágono já havia escolhido Musk para ajudar a desenhar a guerra do futuro, ampliando o papel dele nas Forças Armadas dos EUA.
O que acontece agora
A tensão entre Trump e Zelensky sobre os ataques a refinarias russas segue sem solução. Dias antes deste episódio, o presidente americano já havia dito que era "hora de outra pessoa negociar" pela Ucrânia.































