A campanha do presidente Lula (PT) entregou nesta quinta (22) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os documentos que autorizam a quebra de seus sigilos bancário e telemático. A equipe pediu que a Corte arbitre a divulgação simultânea com Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha petista, foram entregues a movimentação financeira dos últimos oito anos, os extratos do cartão de crédito corporativo e os registros dos voos oficiais e da FAB usados por Lula.

"Todas as informações que mostram as movimentações do presidente Lula, aquilo que ele ganhou e recebeu, não só como presidente, mas também nos últimos oito anos [...] tudo aquilo que foi requisitado, nós estamos entregando", afirmou Edinho Silva.

A entrega ocorre depois de decisão do ministro André Mendonça, do TSE, de que não cabe à Corte definir o que cada candidato divulga. Segundo ele, os sigilos protegem os titulares, que podem abrir mão deles quando quiserem. A decisão não encerrou a disputa.

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A campanha de Lula insiste na mediação do TSE. Em requerimento protocolado nesta quinta, a coligação pede que a Corte requisite diretamente a bancos, operadoras de telefonia e órgãos públicos os dados que os dois candidatos já concordaram em tornar públicos.

Pede-se que execute o acordo, como terceiro imparcial, para que a documentação chegue ao eleitor com fidelidade, integridade e ao mesmo tempo para ambos, e com absoluta confiança para o principal árbitro do pleito, Sua Excelência, o eleitor brasileiro.

"Informações oferecidas sem arbitragem, sem validação e sem o poder judiciário garantir que sejam fidedignas enfraquecem perante a sociedade", completou Edinho Silva. Sem chancela judicial, os números que cada campanha divulgar correm o risco de ser contestados pelo adversário antes de chegar ao eleitor.

Enquanto a campanha de Lula entregava a documentação, a equipe de Flávio Bolsonaro chegou ao TSE sem nenhum documento. A advogada Maria Cláudia Bucchianeri disse que ainda preparava as procurações e prometeu protocolar o pedido até as 23h59 desta quinta (22).

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O impasse nasceu no debate presidencial de domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir os próprios sigilos bancário e telefônico. A campanha do senador também escalou Deltan Dallagnol para analisar os dados que o petista pretende tornar públicos.

O que acontece agora

O TSE ainda não decidiu se vai assumir o papel de árbitro pedido pela campanha de Lula. A Corte também aguarda a formalização do pedido de Flávio, prometida para a noite desta quinta. As campanhas seguem trocando acusações sobre quem cumpriu o combinado no debate.

Lula já havia pedido ao TSE autorização para abrir o próprio sigilo bancário na segunda-feira (20), dia em que apoiadores protestaram em frente à sede da Corte. A disputa pelos sigilos virou um dos capítulos mais citados da reta final do 2º turno.