A três dias do segundo turno das eleições presidenciais, o assessor especial de Lula (PT) e ex-chanceler Celso Amorim afirmou à Folha que não vê risco de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixar de reconhecer uma eventual reeleição do petista no domingo (25).

Acho que o presidente Trump vai respeitar. Não significa que vai sair correndo para reconhecer e dizer 'que bom', mas vai respeitar na prática.

"Ele pode gostar mais de alguém ou de outro, mas respeita o presidente Lula", completou Amorim. Segundo ele, Trump desejou boa sorte a Lula em um telefonema após o primeiro turno.

Em resposta a parlamentares democratas dos Estados Unidos, o Departamento de Estado americano afirmou apoiar o direito dos brasileiros a eleições livres e justas. O órgão, porém, não assumiu o compromisso pedido pelos parlamentares de respeitar o resultado do processo eleitoral.

Trump não esconde a preferência por Flávio Bolsonaro (PL) em comentários sobre a política brasileira e tem pressionado o governo Lula, em meio a tensões que envolvem sanções a autoridades, tarifaço e a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington.

Apesar disso, o republicano tem sido evasivo. Não declarou apoio explícito a nenhum dos dois candidatos desde o primeiro turno, que chamou de uma "grande vitória" depois de Flávio terminar à frente de Lula.

Amorim também classificou como "muito grave" o caso de prejuízo a perfis de Lula e impulsionamento algorítmico a favor de Flávio pela Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp.

Para o assessor, o episódio da Meta é uma interferência que deixa marca duradoura na disputa, independentemente de quem vencer o 2º turno.

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Amorim classificou o caso como prova de que grandes redes sociais podem interferir nas decisões políticas de outros países, mas evitou dizer que a interferência partiu diretamente da Casa Branca.

O nome mais vocal do entorno de Flávio sobre política externa é seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e é próximo do governo Trump.

Eduardo chegou a sugerir que seria chanceler em um eventual governo do irmão, hipótese que Flávio rejeitou. Eduardo tem atacado o Itamaraty e prometido uma "faxina" no ministério.

Celso Amorim em reunião
Celso Amorim, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais. Foto: Marcello Casal JR/ABr/Wikimedia Commons

O que acontece agora

Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno neste domingo (25). A coligação de Lula já acionou ONU, PGR e PF contra a atuação da Meta na eleição.

Eduardo Bolsonaro segue nos Estados Unidos, onde discursou ao lado de Javier Milei mesmo com mandado de prisão no Brasil. A tensão diplomática com Washington já havia levado à revogação do visto da embaixadora brasileira em agosto.