O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos desarticulou um esquema de casamentos falsos para obter green card em Massachusetts, com a colaboração de dois brasileiros. Seis americanos foram indiciados nesta quarta-feira (21) por fraude matrimonial e por abrigar imigrantes irregulares, a maioria brasileiros.

Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria dos Estados Unidos em Massachusetts, Jennifer Gonzalez, de 43 anos, coordenava entre 18 e 20 casamentos fraudulentos por ano havia cerca de uma década.

Ao todo, o esquema teria movimentado US$ 6 milhões (R$ 30 milhões) em pagamentos cobrados pelas uniões falsas, segundo a CBS News Boston.

As cerimônias eram encenadas para parecer reais. Fotos do casal eram tiradas no dia do casamento na Prefeitura de Fall River, com trajes cerimoniais, e pessoas contratadas posavam como convidados e familiares nas imagens usadas para instruir os pedidos de green card.

Documentos do processo, citados pela Folha, mostram que dois brasileiros colaboraram com a investigação. Um deles entrou nos EUA com visto de turista em 2019 e permaneceu no país após o vencimento do documento.

A escala do esquema mostra como o casamento virou mercadoria para imigrantes sem documentos em busca de regularização nos EUA.

Em 2024, por indicação de um motorista de aplicativo, esse brasileiro procurou Gonzalez e foi casado com Erica Daniels, integrante da rede.

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Pelo arranjo, pagou US$ 40 mil (R$ 200 mil) e se comprometeu a dar uma mesada de US$ 500 por mês a Erica enquanto durasse o casamento, tudo formalizado em contrato assinado pelas duas partes.

Reportagens americanas sobre o caso, como a do The Rio Times, apontam que a investigação começou depois que um cidadão brasileiro que havia procurado os serviços de Gonzalez denunciou o esquema às autoridades.

Os seis indiciados são Jennifer Gonzalez, Amara Pugh, Erica Daniels, Cherice Alejandro, Jessica Tavares e Jalyn Hill. Cinco foram presos nesta semana; o sexto, Jalyn Hill, já cumpria pena estadual por posse ilegal de arma.

As acusações combinadas de fraude matrimonial, abrigo e conspiração para abrigar imigrantes irregulares preveem pena máxima de 25 anos de prisão.

A procuradora federal Leah Foley e o chefe regional do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) no Nordeste do país, Shawn Saucier, anunciaram as acusações nesta semana.

Cerimônia de naturalização em Faneuil Hall, em Boston, Massachusetts
Cerimônia de naturalização em Faneuil Hall, em Boston (MA) — foto de contexto, não do esquema investigado. Foto: EgorovaSvetlana/Wikimedia Commons

O que acontece agora

Os seis acusados devem responder ao processo na Justiça federal de Massachusetts. Jalyn Hill só deve enfrentar o novo processo após o fim da pena estadual que já cumpre. Nenhum dos dois brasileiros que colaboraram com a investigação foi indiciado no caso, segundo a Folha.

O caso se soma a uma onda recente de ações dos EUA contra fraude migratória envolvendo brasileiros.

Em outubro, um brasileiro foi preso nos Estados Unidos acusado de vender documentos falsos a outros imigrantes. Em setembro, uma brasileira foi detida pelo ICE após uma crise de saúde em solo americano.

O endurecimento migratório dos EUA também afeta brasileiros fora do contexto criminal. Em agosto, o governo americano suspendeu o agendamento de vistos de imigrante em postos que atendem o Brasil, medida que ampliou a fila para quem busca entrar no país de forma regular.