O economista americano Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001, afirmou à Folha que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno representaria sérios riscos para a economia brasileira, apesar da euforia do mercado financeiro após o primeiro turno.
Na segunda-feira seguinte ao 1º turno, o dólar caiu para R$ 5 e a Bolsa bateu recorde, reação à vantagem de Flávio, cuja campanha sinaliza ajuste fiscal. Para Stiglitz, essa euforia é prematura.
Antes do 1º turno, ele já havia assinado, ao lado de Thomas Piketty e Chico Buarque, um texto no jornal francês Le Monde que classifica o candidato do PL como ameaça à democracia.
Levará à deterioração do padrão de vida das classes média e baixa, à redução da capacidade de investimento público e levará ao aumento da desigualdade e da pobreza.
O economista argumenta que a austeridade fiscal sob Flávio reduziria o Produto Interno Bruto (PIB), o efeito contrário ao que o mercado esperava. O aviso de um ex-economista do Banco Mundial contrasta com a aposta do mercado na vitória de Flávio.
Publicidade
Stiglitz foi economista-chefe do Banco Mundial entre 1997 e 2000 e chefiou a equipe de economistas do governo Bill Clinton. Hoje é professor na Universidade Columbia, em Nova York, e dividiu o Nobel de 2001 com George Akerlof e Michael Spence.
A coordenadora econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques, rebate esse tipo de crítica. "Está lá no plano que ninguém vai mexer em programa social", afirmou, sobre o chamado "tesouraço" fiscal.
Publicidade
A equipe de Flávio já havia sido questionada pela falta de detalhes do plano. Reportagens recentes mostram que a euforia do mercado esbarra num ajuste fiscal ainda sem medidas especificadas.

O que acontece agora
Lula e Flávio se encontram nesta sexta-feira (23) no debate da TV Globo, três dias antes do 2º turno, neste domingo (25). A crítica de Stiglitz chega na mesma semana em que mais de 40 políticos franceses assinaram manifesto contra Flávio.































