A Ucrânia retomou nesta quinta-feira (15) os ataques a refinarias de petróleo russas, atingindo instalação na região de Ryazan. O presidente Volodymyr Zelensky disse que o bloqueio aos ataques "acabou" e acusou a Rússia de romper o cessar-fogo proposto por Donald Trump.
A instalação atingida fica na região de Ryazan, no sul da Rússia. Segundo o governador regional Pavel Malkov, um ataque de drones provocou um incêndio na refinaria e os danos ainda estavam sendo avaliados. Serviços de emergência atuavam no local.
"A restrição [aos ataques contra refinarias russas] acabou. Chega", disse Zelensky ao Financial Times, em entrevista na qual também criticou os Estados Unidos.
Zelensky afirmou que Trump havia pedido à Ucrânia que suspendesse os ataques às refinarias russas, numa tentativa de reduzir o custo da energia antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Segundo ele, autoridades militares ucranianas foram avisadas de que os Estados Unidos bloqueariam o compartilhamento de inteligência caso os ataques à infraestrutura energética russa continuassem.
A Ucrânia também afirmou, na quarta-feira (14), que restrições a serviços militares do Starlink prejudicaram operações essenciais no front. A medida aumentou a preocupação em Kiev e entre aliados europeus sobre o nível de apoio dos Estados Unidos.
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Em outra entrevista, ao apresentador britânico Piers Morgan, Zelensky disse que se sente "traído" pelo governo Trump e classificou o acordo americano para comprar diesel russo como uma "vitória simples" para o Kremlin.
É uma pena que estejamos perdendo um parceiro forte.
A frase é de Zelensky, dita na quarta-feira (14), no programa Piers Morgan Uncensored.
O acordo de diesel que irritou Kiev
O estopim da crise foi o acordo fechado por Trump para comprar diesel russo, anunciado na semana anterior. A iniciativa buscava baratear combustível antes das eleições de meio de mandato dos EUA, mas a União Europeia classificou o diesel como financiamento à guerra russa.
Zelensky já havia avisado que não suspenderia os próprios ataques indefinidamente se a Rússia não fizesse o mesmo, numa declaração publicada em 11 de outubro.
A trégua energética havia sido anunciada por Trump no fim de semana anterior, mas parece ter pego os dois países de surpresa. Kiev evitou atacar refinarias russas desde então, até a retomada desta quinta-feira.
Os ataques russos à infraestrutura energética ucraniana deixaram 600 mil pessoas sem luz na quarta-feira (14), segundo Zelensky.
A escala do apagão ajuda a explicar a urgência da resposta ucraniana, que decidiu retomar os ataques às refinarias justamente na semana em que a Rússia intensificou os bombardeios à rede elétrica do país.
Aliados europeus também reagiram à postura americana. O Reino Unido ofereceu mísseis a Zelensky depois da pressão de Trump pela trégua, reforçando o apoio militar a Kiev.





























