Um terremoto de magnitude 7 atingiu o Tibete, no oeste da China, por volta das 22h33 de quinta-feira (22) no horário local, 11h33 de Brasília. O epicentro ficou no condado de Nagqu, a cerca de 400 km de Lhasa. Não há registro de mortos.

Três agências mediram o tremor com pequenas diferenças. O Centro de Redes de Terremotos da China (Cenc) apontou magnitude 7 e profundidade de 10 quilômetros. Já o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou a mesma magnitude, mas com profundidade de 18 quilômetros.

O epicentro, segundo o USGS, ficou 191 quilômetros a leste-nordeste de Nagqu. O Centro de Pesquisas de Geociências da Alemanha (GFZ) confirmou a magnitude 7.

De acordo com o USGS, o alerta sobre o terremoto está em nível laranja, a segunda categoria mais alta da agência. O sistema PAGER avalia que impactos de tremor são prováveis e que algumas mortes são possíveis, embora o cenário possa mudar.

O USGS estima que 132 mil pessoas sentiram tremores de intensidade moderada a severa. O abalo foi percebido a centenas de quilômetros, inclusive no norte da Índia.

Não há alerta de tsunami, segundo o USGS.

O Tibete é uma das regiões de maior atividade sísmica do planeta. O choque entre as placas tectônicas Indiana e Eurasiática é o mesmo movimento que formou o Himalaia. Por isso, o USGS não descarta réplicas significativas e deslizamentos de terra nas próximas horas.

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O Cenc contou 21 terremotos de magnitude 6 ou mais no bloco de Lhasa desde 1950. O maior deles ocorreu em Mainling, em 2017, com magnitude 6,9.

Em 7 de janeiro de 2025, um terremoto de magnitude 6,8 atingiu o condado de Tingri, no sul do Tibete, perto do Everest. O tremor matou 126 pessoas e feriu 188, além de derrubar construções.

Outros episódios mostram a escala que um terremoto na região pode alcançar. Em 2010, um tremor de magnitude 6,9 atingiu Yushu, na China, e deixou centenas de mortos.

Em 2015, dois terremotos atingiram o Nepal na mesma zona do Himalaia. O primeiro, de magnitude 7,8, matou mais de 8.500 pessoas; o segundo, de magnitude 7,3, ocorreu menos de três semanas depois.

O terremoto desta quinta chega dois meses depois de uma enchente que devastou a fronteira entre o Tibete e o Nepal, em agosto. Segundo a CNN, o epicentro de hoje fica longe de onde ocorreu aquela tragédia.

Em maio, um terremoto de magnitude 5,2 já havia derrubado 13 prédios e matado duas pessoas em Liuzhou, no sul do país.

Em setembro, chuvas mataram 56 pessoas na Índia e reacenderam o alerta no Nepal, numa sequência de desastres naturais que tem marcado a cordilheira neste ano.

O que acontece agora

O USGS e o Cenc devem atualizar nas próximas horas os números de atingidos e eventuais danos, à medida que equipes acessem áreas de difícil chegada no planalto tibetano. A principal variável é a possibilidade de réplicas, que a agência americana considera significativa.

Para quem se pergunta por que o Brasil quase não sente abalos como este, o motivo está na posição do país no meio de uma placa tectônica, longe das bordas onde a energia se acumula.