O avanço dos caixas automáticos no comércio entrou na pauta de um debate da TV Sim Brasil sobre o fim da escala 6 por 1. O presidente da CUT-MG, Jairon Nogueira Filho, comparou a automação à digitalização dos bancos para dizer que novas tecnologias não eliminam postos de trabalho por completo.

A observação partiu da apresentadora do debate, que notou o aumento de caixas de autoatendimento nas lojas físicas e perguntou se a substituição de funcionários por máquinas preocupa a CUT tanto quanto a pejotização discutida mais cedo no programa.

O exemplo dos bancos

Jairon respondeu citando o setor bancário, que informatizou boa parte do atendimento sem fechar as portas.

"O próprio mercado se adequa. A gente viu isso nos bancos. Hoje você tem seu celular, você hoje é uma bancária", disse o sindicalista.

"Você faz toda transação que o bancário fazia", completou, ao dizer que os bancos não deixaram de existir nem reduziram o quadro de trabalhadores.

O sindicalista reconheceu que a robotização deve avançar nos próximos anos e defendeu que o mercado se prepare para isso.

"A robotização vai chegar, e a gente precisa ver de que forma que o mercado vai se adequar para que as pessoas tenham um trabalho ou tenham renda", afirmou.

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Ele defendeu ainda que grandes redes de varejo redistribuam parte do lucro para gerar renda a quem ficar fora do mercado de trabalho com o avanço das máquinas.

Jairon citou o comportamento do consumidor mineiro como um fator que, na avaliação dele, segura a automação total do atendimento.

"A gente gosta de olhar no olho, a gente gosta de ver a afeição da pessoa, a gente não confia muito nas coisas, principalmente as pessoas mais idosas, gostam de ir ali no supermercado", disse.

Fecomércio defende atendimento mais pessoal

A economista da Fecomércio-MG, Gabriela Martins, seguiu a mesma linha e defendeu que as lojas físicas se reinventem oferecendo experiência ao cliente, e não só o produto.

"O varejo tem de caminhar também com entrega de experiência", disse Gabriela.

"As pessoas gostam de se sentir acolhidas, elas gostam desse calor humano", completou, ao descrever a mudança do papel de vendedor para consultor nas lojas.

Gabriela citou supermercados, lojas de moda, comércio de máquinas, de materiais de construção e farmácias como os segmentos mais dependentes de mão de obra e, por isso, mais sensíveis à mudança de escala.

A economista pediu, no fechamento da fala, um prazo de adaptação maior que o um ano de transição previsto na lei que acaba com a escala 6 por 1.

"A gente defende que pelo menos o processo de transição fosse maior", disse, destacando que esses setores funcionam todos os dias da semana e vão exigir ajustes de escala específicos durante a mudança.