O Reino Unido vai enviar caças Eurofighter Typhoon da Força Aérea Real (RAF) para ajudar a proteger a Arábia Saudita de ataques dos houthis do Iêmen, anunciou o Ministério da Defesa britânico nesta terça-feira (20), ampliando o apoio militar de Londres a Riad.

Segundo a nota oficial do ministério, os Typhoon farão apenas missões defensivas de contra-ar, sem atacar posições houthis. O pacote inclui ainda uma aeronave de transporte A400M e assessores militares britânicos.

A extensão do reabastecimento aéreo às forças sauditas também está no pacote. O número de caças que serão enviados não foi revelado.

"O bombardeio do aeroporto de Riad em particular mostra até onde os houthis estão dispostos a escalar", afirmou o secretário de Defesa britânico, Wes Streeting, em nota.

Os ataques houthis se intensificaram neste mês. O bombardeio ao aeroporto de Riad, no início de outubro, matou 12 pessoas e feriu outras 309. A sede da Saudi Aramco em Dhahran também foi atingida.

Um oleoduto que cruza o território saudita também foi alvo. Na noite de segunda-feira (19), novos alertas de ataque aéreo soaram na capital.

O Reino Unido é o segundo país europeu a reforçar a defesa saudita. Desde o início de outubro, a França enviou soldados e baterias antiaéreas para proteger o terminal petrolífero de Yanbu, no mar Vermelho.

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O Paquistão, que já mantém 8.000 soldados e um esquadrão de caças JF-17 no país, também vai enviar reforços, dentro de um pacto militar firmado com Riad e Ancara em agosto.

A Turquia prometeu apoio de defesa, mas descartou o envio de forças ofensivas.

Caça Eurofighter Typhoon da Força Aérea Real britânica em pista de aeroporto
Foto: Jakub Hałun/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O efeito no Brasil: petróleo

O Brasil ganha espaço no mercado que a Arábia Saudita perde. O Brasil ultrapassou a Arábia Saudita como 2º maior fornecedor de petróleo à China entre janeiro e setembro: 44,29 milhões de toneladas contra 43,12 milhões sauditas, segundo dados oficiais chineses.

Em setembro, as compras chinesas de petróleo saudita caíram 62% em relação ao ano anterior, para 660 mil barris por dia. No mesmo mês, as importações brasileiras subiram 18%, para 1,25 milhão de barris diários.

A Rússia segue como maior fornecedora de petróleo à China. A crise de segurança que hoje depende do apoio aéreo de aliados coincide com a queda nas vendas sauditas à China, justamente o mercado em que o Brasil avança.

A instabilidade também pressiona o preço do diesel no Brasil, puxado pela alta do petróleo Brent, que passou de US$ 109 o barril nesta semana depois de os houthis reivindicarem os ataques mais recentes.

O que acontece agora

O Acordo de Meca, que prevê assistência militar mútua entre Arábia Saudita e Turquia, ainda está em análise no Parlamento turco.

A Arábia Saudita adiou para 2027 a Future Investment Initiative, sua principal conferência de investimentos, citando a deterioração das condições de segurança no país.