O governo do presidente argentino, Javier Milei, incluiu nesta quinta-feira (22) cinco grupos criminosos e guerrilheiros da América Latina na lista de organizações terroristas da Argentina: o Cartel de Sinaloa, a Nova Família Michoacana, Los Tiguerones, o ELN e as FARC-EP.

A medida chega um mês depois de a Argentina classificar o PCC e o Comando Vermelho, facções brasileiras, como organizações terroristas. Os dois grupos já estavam na mira do Escudo das Américas, aliança de segurança que reúne países da região.

Dois dos novos nomes são do México: o Cartel de Sinaloa e a Nova Família Michoacana. Um é do Equador, Los Tiguerones. Os outros dois vêm da Colômbia, o ELN e as FARC-EP.

A resolução foi assinada pelos ministérios argentinos de Segurança Nacional e de Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto. Saiu nesta quinta (22) no Boletín Oficial, o diário oficial do país, segundo o Valor Econômico e a agência Infobae.

O Cartel de Sinaloa aparece no texto como organização transnacional dedicada a narcotráfico, contrabando e sequestros extorsivos. Los Tiguerones é descrito como um dos grupos mais violentos da região, por narcotráfico e sicariato.

ELN e FARC-EP entram na lista como organizações guerrilheiras de extrema esquerda.

A Argentina já havia classificado o PCC e o Comando Vermelho como terroristas em 22 de setembro, ao lado de outros países do Escudo das Américas.

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A aliança foi criada em março a pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Reúne 15 países que dizem representar quase metade da América Latina e do Caribe.

Ainda que tenham nascido nas prisões brasileiras, PCC e Comando Vermelho viraram alvo de uma coalizão da qual o Brasil não faz parte. O país está fora do Escudo das Américas, assim como o México, que resiste à aliança liderada por Washington.

O governo brasileiro resiste a esse tipo de classificação. O secretário nacional de segurança pública, Mario Sarrubo, já havia rejeitado pedido do Departamento de Estado dos EUA para que o Brasil enquadrasse PCC e CV como terroristas.

"Não temos organizações terroristas aqui, temos organizações criminosas que infiltraram a sociedade", disse Sarrubo.

A legislação brasileira só usa o termo terrorismo para grupos que confrontam o Estado por motivação religiosa ou racial. Isso esbarra na própria lei do país quando se discute enquadrar as facções dessa forma.

A decisão argentina ocorre em meio à cooperação crescente entre os governos de Milei e de Trump. Duas semanas antes, os EUA haviam anunciado uma unidade antidrogas regional na Argentina, com fundo de US$ 13,35 milhões.

É a mesma unidade que os EUA abriram na Argentina mirando o PCC e o Comando Vermelho, anunciada em outubro.

O que acontece agora

A inclusão no Registro Público de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo (RePET) permite à Argentina bloquear bens e contas ligados aos cinco grupos recém-incluídos, como já ocorre com o PCC e o Comando Vermelho desde setembro.

O Brasil não sinalizou mudança na própria posição. O país segue sem enquadrar as duas facções como organizações terroristas.